Preços do petróleo e gás dão salto com conflito no Irã afetando produção no Oriente Médio

Eventos forçam paralisação de instalações de energia e comprometem tráfego no Estreito de Ormuz.

Por -Da Redação com notícias Agrícolas
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Foto: reprodução

As cotações do petróleo e do gás registraram forte alta na segunda-feira (2), repercutindo os ataques promovidos por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã, além da retaliação por parte de Teerã. Os eventos forçaram a paralisação de instalações de energia na região e comprometeram o tráfego marítimo no vital Estreito de Ormuz.
A perspectiva de um conflito prolongado no Oriente Médio pode resultar em um aumento duradouro nos preços do petróleo, pressionando a inflação. Esse cenário tem potencial para frear o crescimento econômico mundial e elevar os preços da gasolina ao consumidor nos EUA.

Os contratos futuros do petróleo Brent chegaram a subir até 13%, atingindo US$ 82,37 por barril, o maior patamar desde janeiro de 2025, antes de encerrarem com alta de US$ 4,87, ou 6,7%, a US$ 77,74 por barril.

O contrato registrou um salto nas negociações eletrônicas após o fechamento, motivado pelo anúncio da Guarda Revolucionária do Irã, na noite desta segunda-feira, de que incendiaria qualquer embarcação que tentasse transitar pelo Estreito de Ormuz.

Nos EUA, o petróleo West Texas Intermediate (WTI) fechou cotado a US$ 71,23, com valorização de US$ 4,21, ou 6,3%. O benchmark chegou a avançar mais de 12%, tocando US$ 75,33, o valor mais alto desde junho.

Embora o avanço inicial dos preços tenha sido menos acentuado do que o previsto por alguns analistas, os ataques retaliatórios do Irã contra outros importantes países produtores, como a Arábia Saudita e o Catar, intensificaram os temores de que um conflito mais extenso e demorado possa causar novas interrupções na oferta.

“As principais questões são: quanto do abastecimento será perdido, por quanto tempo e como as grandes potências reagirão?”, questionou Daniel Yergin, vice-presidente da S&P Global.

Na segunda-feira (2), a Arábia Saudita suspendeu as operações em sua maior refinaria doméstica após um ataque com drones. O Catar interrompeu a produção de gás natural liquefeito (GNL), e a estatal QatarEnergy estava prestes a declarar força maior em seus embarques.

O agravamento do conflito com o Irã também resultou na paralisação de 150 navios nas proximidades do Estreito de Ormuz, após a morte de um marinheiro e danos reportados em pelo menos três petroleiros.
Compromentimento do transporte marítimo

Em condições normais, embarcações transportando um volume de petróleo equivalente a cerca de um quinto da demanda mundial transitam pelo Estreito de Ormuz, além de navios carregados com diesel, gasolina e outros combustíveis destinados aos principais mercados asiáticos, como China e Índia. A via é também o canal de passagem para cerca de 20% do gás natural liquefeito global.

O JPMorgan avaliou que uma restrição de três a quatro semanas no tráfego pelo Estreito de Ormuz poderia obrigar os produtores do Golfo a suspenderem a produção, impulsionando o Brent para acima de US$ 100,00.