Plataforma integra vigilância sanitária e análise de risco de doenças suínas

Tecnologia analisa dados sanitários de granjas de todo o País para apoiar a tomada de decisão e fortalecer a vigilância epidemiológica

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Plataforma integra vigilância sanitária e análise de risco de doenças suínas
Foto: Divulgação

Para fortalecer a vigilância epidemiológica, apoiar a tomada de decisão, biosseguridade, controle de doenças e ampliar a sustentabilidade da suinocultura brasileira, a Embrapa Suínos e Aves (SC), recentemente, lançou a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma plataforma estratégica que integra e analisa dados sanitários de granjas de todo o País.

A suinocultura, setor de grande relevância no cenário mundial, se destaca pelos elevados padrões sanitários, pela produtividade e pelo compromisso com a sustentabilidade. Diante do desafio do monitoramento contínuo desses parâmetros, a Embrapa e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se uniram para estruturar a ferramenta, que agrega dados sanitários estratégicos para a cadeia produtiva, a partir de parcerias com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs).

Conforme explica a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Janice Reis Ciacci Zanella, a CISS integra dados de diagnósticos laboratoriais fornecidos por Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs) de todo o Brasil. Esses dados (PCR, patologia e outros exames) são padronizados com códigos internacionais (LOINC e SNOMED CT), consolidados em um banco nacional e analisados de forma dinâmica.

Os dados consolidados pela CISS subsidiam a elaboração de relatórios técnicos agregados e anonimizados, que apoiam a formulação de políticas públicas e ações estratégicas de órgãos de defesa sanitária, indústrias e produtores. No projeto piloto, a prioridade é a pneumonia enzoótica suína, permitindo o planejamento de estratégias mais proativas de prevenção e controle.

“A plataforma gera indicadores epidemiológicos por região, faixa etária, tipo de amostra e período, permitindo acompanhar tendências, sazonalidade e mudanças nos padrões sanitários”, detalha a pesquisadora.

Conforme lista Janice, os objetivos propostos pela plataforma são:

  • Aprimorar e padronizar informações sanitárias da suinocultura
  • Gerar indicadores epidemiológicos confiáveis
  • Apoiar prevenção, controle e manejo de doenças
  • Fortalecer a vigilância epidemiológica e a biosseguridade
  • Antecipar riscos de surtos, inclusive zoonóticos
  • Subsidiar políticas públicas e decisões do setor produtivo

Com isso, segundo ela, a CISS melhora a saúde dos rebanhos, reduz perdas produtivas, diminui mortalidade e condenações de carcaça, e contribui para o uso mais racional de antimicrobianos. “Isso gera alimentos mais seguros, menor impacto ambiental e maior eficiência produtiva, fortalecendo a competitividade e a credibilidade do Brasil no mercado internacional”, complementa.

Desafios e o conceito de Saúde Única

De acordo com a pesquisadora, dentre os principais desafios sanitários enfrentados pelo produtores estão as doenças do Complexo Respiratório Suíno (PRDC); os impactos econômicos de agentes infecciosos devido a perdas por redução de ganho de peso; a mortalidade e condenação de carcaças; o aumento do uso de antibióticos, além da necessidade de manter biosseguridade elevada e monitoramento constante.

Diante desse cenário, ela ressalta que a gestão baseada em dados laboratoriais estruturados permite decisões mais precisas e proativas. A padronização diagnóstica viabiliza integração nacional de informações. Além disso, tecnologias como inteligência artificial, análise de big data e sequenciamento genômico ampliam a capacidade de prever surtos, identificar variantes emergentes e acelerar respostas sanitárias.

Por fim, Janice destaca que a CISS também fortalece a abordagem de Saúde Única, ao integrar saúde animal, humana e ambiental, posicionando a suinocultura como parte estratégica da prevenção de pandemias e da saúde global. “Em suínos, a emergência de zoonoses e uso de antimicrobianos estão diretamente relacionados à abordagem de saúde única”, conclui a pesquisadora.


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