Altas temperaturas elevam riscos sanitários e reforçam alerta para biosseguridade em incubatórios e granjas
Práticas de biosseguridade tornam-se ainda mais estratégicas durante os períodos de maior estresse térmico
Foto: Reprodução
Com a chegada do verão, marcado por altas temperaturas e variações de umidade, o ambiente nos incubatórios e nas granjas torna-se mais favorável à sobrevivência e à disseminação de agentes patogênicos, além de intensificar o estresse térmico das aves. Nesse cenário, medidas rigorosas de biosseguridade deixam de ser apenas um diferencial e passam a ser determinantes para a manutenção da produtividade, do bem-estar animal e da segurança sanitária dos plantéis ao longo de todo o ciclo produtivo.
“A biosseguridade é um dos pilares do desempenho produtivo das granjas, atuando diretamente na prevenção da entrada e da disseminação de agentes patogênicos. Quando bem aplicada, ela protege a sanidade do plantel, reduz perdas produtivas, melhora os indicadores zootécnicos e contribui para o bem-estar animal”, destaca o gerente técnico de aves da Zoetis, Eduardo Muniz.
Segundo ele, do ponto de vista da gestão, uma biosseguridade robusta traz previsibilidade ao sistema produtivo, reduz riscos sanitários e garante maior estabilidade dos resultados ao longo do ciclo, especialmente em períodos mais desafiadores, como o verão, quando os desafios ambientais são mais intensos. “Quando falamos em biosseguridade, também estamos falando de manejo adequado e de um ambiente menos favorável para que agentes infecciosos se multipliquem”, reforça.
Barreiras sanitáriasMuniz destaca que as principais barreiras sanitárias, não só durante o verão, mas em todas as estações do ano, incluem o controle rigoroso de acesso de pessoas e veículos às granjas, protocolos eficientes de limpeza e desinfecção, uso adequado de vestimentas e a higienização correta de equipamentos. “Com isso, o manejo do ambiente torna-se ainda mais estratégico, com atenção especial à ventilação, ao controle de temperatura e umidade e à qualidade da água, fatores que impactam diretamente a resposta imunológica dos lotes”, acrescenta.
Entre os principais desafios destacados pelo especialista, estão a intensificação dos desafios sanitários associada às mudanças climáticas, o manejo do estresse térmico, a necessidade de mão de obra cada vez mais qualificada e a adaptação a sistemas produtivos mais tecnificados.
Além disso, conforme observa Muniz, os produtores precisam equilibrar produtividade, bem-estar animal e sustentabilidade, mantendo altos padrões sanitários mesmo em cenários ambientais adversos. Isso exige planejamento, investimento em tecnologia e uma visão de longo prazo da biosseguridade como estratégia de negócio.
No incubatório, onde as primeiras horas de vida das aves são determinantes para o desempenho futuro, o controle ambiental e os protocolos sanitários ganham ainda mais relevância durante os meses mais quentes. A antecipação da proteção imunológica é uma das estratégias para reduzir a janela de vulnerabilidade dos pintinhos, especialmente em períodos de maior pressão sanitária.
Nesse viés, ele afirma que a gestão eficiente permite padronizar processos, monitorar pontos críticos e tomar decisões mais assertivas, reduzindo falhas operacionais e desperdícios. Já a tecnologia potencializa esses ganhos ao oferecer ferramentas de controle ambiental, monitoramento de dados e estratégias mais eficazes de prevenção sanitária.
Um exemplo é a vacinação in ovo, que promove uma imunização precoce e uniforme ainda no incubatório, reduzindo a janela de vulnerabilidade dos pintainhos e apoiando programas de prevenção mais eficientes. Essa integração entre gestão e tecnologia contribui para uma produção mais sustentável, com melhor uso de recursos e menor impacto sanitário ao longo do ciclo.
“A biosseguridade não deve ser vista apenas como um conjunto de regras, mas como uma estratégia contínua de proteção do sistema produtivo. A combinação entre protocolos rigorosos, manejo adequado, monitoramento constante e programas de vacinação bem estruturados é fundamental para atravessar períodos críticos, como o verão, com maior segurança sanitária e desempenho produtivo”, finaliza Muniz.