Lula avança para confirmar Mello e Cavalcanti no Banco Central, apesar de reação do mercado
Indicações devem passar pelo Senado e geram divergências dentro e fora da autoridade monetária
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva caminha para confirmar a indicação dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para diretorias do Banco Central, segundo fontes que acompanham as negociações. Os nomes foram apresentados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ainda precisarão da aprovação do Senado Federal.
Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, deve assumir a Diretoria de Política Econômica do BC. Já Tiago Cavalcanti, professor da Fundação Getulio Vargas e da Universidade de Cambridge, é o indicado para a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
Ainda não há data definida para o anúncio oficial das nomeações. Haddad afirmou em entrevista que os nomes foram apresentados ao presidente há cerca de três meses. A confirmação pública ocorreu após o nome de Mello ter vazado na imprensa e provocado reações negativas no mercado financeiro, o que levou a uma alta nas taxas de juros de longo prazo.
Professor da Unicamp e filiado ao PT, Mello participou da elaboração do plano econômico da campanha de Lula em 2022. Apesar da ligação partidária, é visto como um quadro técnico próximo de Haddad e com bom trânsito junto ao presidente. Mesmo assim, enfrenta resistência tanto no mercado quanto dentro do próprio Banco Central, já que sua indicação não teria sido previamente acordada com a autarquia.
A Diretoria de Política Econômica é responsável pelos modelos macroeconômicos que embasam as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Parte das críticas se concentra na falta de experiência direta de Mello no mercado financeiro. Por outro lado, fontes ouvidas destacam seu perfil técnico, equilibrado e avesso a propostas heterodoxas, avaliando que as reações do mercado fazem parte do processo de pressão institucional.