Brasil reduz o desmatamento, mas calor recorde expõe urgência climática global
Dados recentes mostram avanço ambiental no país, enquanto o planeta registra um dos anos mais quentes da história
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O ano de 2026 começa com sinais contraditórios no cenário ambiental. De um lado, o Brasil comemora uma forte redução no desmatamento em grande parte de seus biomas. De outro, o mundo enfrenta um alerta preocupante: 2025 foi confirmado como o terceiro ano mais quente já registrado, segundo dados de centros internacionais de monitoramento do clima. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 14 de janeiro, por organismos como o Copernicus e a Organização Meteorológica Mundial. Os levantamentos indicam que o planeta atravessou o período de 2023 a 2025 com temperaturas médias muito próximas, ou até acima, do limite de 1,5 grau Celsius em relação aos níveis pré-industriais, patamar considerado crítico por cientistas. No Brasil, a notícia global chega poucos dias após a divulgação de dados positivos. Em 10 de janeiro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais consolidou os números do Prodes 2024, sistema oficial que mede o desmatamento por corte raso no país. O resultado mostra queda expressiva na maioria dos biomas monitorados.
A maior redução foi registrada na Mata Atlântica, com diminuição de quase 38% em relação ao ano anterior. A Amazônia apresentou queda superior a 28%, seguida pelo Cerrado, com redução de cerca de 26%, e pelo Pampa, com pouco mais de 20%. Também houve recuo em áreas não florestais da Amazônia.
Segundo especialistas do Inpe, os números refletem o fortalecimento das ações de fiscalização, acordos com setores produtivos e maior uso de tecnologia de monitoramento por satélite. Ainda assim, o cenário não é uniforme. O Pantanal e a Caatinga registraram aumento no desmatamento, influenciados pela pressão agrícola e por longos períodos de seca. Enquanto o país avança no controle da derrubada de florestas, o clima global segue em aquecimento. A temperatura média do planeta em 2025 ficou pouco abaixo dos recordes de 2024 e 2023, mantendo uma sequência inédita de anos extremamente quentes. Relatórios apontam que os últimos 11 anos estão entre os mais quentes já medidos. Mesmo com a atuação de fenômenos naturais que costumam resfriar o clima, como a La Niña, os oceanos continuaram aquecidos em níveis elevados. Esse calor acumulado ajuda a explicar eventos extremos recentes, como secas severas na Amazônia e enchentes fora do padrão no Sul do Brasil. Especialistas destacam que a redução do desmatamento não gera efeitos imediatos na temperatura. O aquecimento global é resultado de décadas de emissões de gases poluentes, principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás em escala mundial. Além disso, a degradação florestal, causada por incêndios e estiagens, continua avançando mesmo onde o corte raso diminuiu. Esse processo cria um ciclo preocupante: mais calor favorece incêndios, que enfraquecem as florestas, liberam carbono e intensificam ainda mais o aquecimento. Para 2026, o desafio brasileiro vai além de conter a motosserra. Será necessário ampliar o combate aos incêndios, investir na recuperação de áreas degradadas e fortalecer políticas de adaptação aos eventos climáticos extremos. A queda no desmatamento coloca o país em posição de maior credibilidade no debate internacional, mas a resposta ao aquecimento global depende de uma ação conjunta.
O Brasil mostrou que consegue mudar sua trajetória ambiental. Resta saber se o restante do mundo terá a mesma rapidez para agir antes que novos recordes de calor se tornem rotina.