22 maneiras de produzir Mais Arrobas em 2026
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A pecuária brasileira enfrenta o desafio permanente de elevar a produtividade sem expandir área, respeitando compromissos ambientais e aproveitando melhor os recursos já disponíveis nas propriedades. Dados recentes demonstram que a taxa de lotação média nacional ainda está próxima de 0,8 UA/ha, enquanto sistemas bem manejados alcançam facilmente 2,5 a 3,0 UA/ha na mesma região. Essa diferença revela um potencial enorme de ganho produtivo que pode ser alcançado mediante estratégias técnicas fundamentadas e acessíveis à realidade da maioria dos produtores. As estratégias apresentadas aqui se organizam em cinco pilares interdependentes: correção de solo e fertilidade, escolha e estabelecimento de forrageiras, manejo racional de pastagens, práticas complementares de produção e suplementação estratégica.
O primeiro pilar, base de toda produtividade sustentável, é a correção da fertilidade do solo. A análise de solo deve orientar a aplicação de calcário. A gessagem complementa esse processo em solos com alumínio tóxico em subsuperfície. A adubação de formação com fósforo é crítica, especialmente em solos do Cerrado. A adubação de manutenção com nitrogênio e potássio assegura a reposição dos nutrientes exportados pelos animais, sendo que sistemas intensivos podem demandar 200 a 400 kg/ha/ano de N parcelados.
O segundo pilar trata da escolha e implantação adequada de forrageiras. A seleção de cultivares deve considerar clima, tipo de solo, sistema de produção e categoria animal. O preparo de solo adequado, com eliminação de plantas indesejáveis e adequação do solo à semente favorece o estabelecimento vigoroso. A época de plantio respeitando o início das chuvas e a profundidade correta das sementes são determinantes para o estande inicial. A taxa de semeadura com sementes de alta qualidade deve seguir as recomendações técnicas, evitando desperdício ou falhas. A vedação inicial adequada permite que as plantas atinjam desenvolvimento radicular profundo antes do primeiro pastejo.
O terceiro pilar aborda o manejo racional das pastagens. A divisão em piquetes permite controlar altura de entrada e saída dos animais preservando a área foliar residual e os pontos de crescimento e respeitando o período de descanso. A taxa de lotação variável ao longo do ano, adequa o número de animais à produção estacional de forragem, sendo mais intensa nas águas e reduzida na seca. O diferimento de pastagens para uso estratégico na entressafra mantém forragem de qualidade aceitável para aa seca. O controle de invasoras, especialmente no estabelecimento, reduz a competição por luz, água e nutrientes.
O quarto pilar engloba práticas complementares que potencializam a produção. O sombreamento estratégico, natural ou artificial, melhora o conforto térmico e pode elevar o ganho de peso. O controle de pragas como cigarrinhas, cupins, formigas e lagartas evita perdas produtivas significativas. O melhoramento genético do rebanho, através da seleção acelera o ganho de peso e reduz a idade de abate. A sanidade adequada, com calendário vacinal e controle parasitário estratégico, elimina entraves ao desempenho animal. A disponibilidade de água de qualidade em todos os piquetes é fundamental para maximizar o consumo de forragem.
O quinto pilar aborda a suplementação estratégica. Durante a seca, quando a forragem apresenta menor produtividade e baixos teores de proteína e energia, a suplementação múltipla (proteica-energética) pode manter ganhos de 0,3 a 0,5 kg/dia (Figura 1). A suplementação mineral adequada corrige deficiências regionais. A suplementação proteica na transição águas-seca mantém o desempenho quando o pasto ainda apresenta massa, mas começa a perder qualidade. A suplementação na terminação em pasto pode antecipar o abate em 60 a 90 dias. Os aditivos como ionóforos melhoram a eficiência de conversão alimentar. O fornecimento em cochos bem distribuídos e dimensionados garante acesso de todos os animais. A regularidade no fornecimento evita variações de consumo que prejudicam o desempenho. O monitoramento do consumo efetivo permite ajustes e identificar problemas de consumo ou sanidade.
Figura 1 – Ganho médio diário de bovinos, em pastagens tropicais, de acordo com o nível de suplementação (% do PV) (Tambara et al, 2021)
A integração dessas estratégias não exige que todas sejam implementadas simultaneamente, mas sim que o produtor identifique os principais fatores limitantes de sua realidade e atue de forma sequencial e planejada. A pecuária sustentável passa necessariamente pela intensificação baseada em conhecimento técnico, não apenas em insumos. A trajetória de ampliar a produção de arrobas por hectare representa não só maior rentabilidade individual, mas também menor pressão por abertura de novas áreas, contribuindo para o equilíbrio entre produção e conservação.