EUA atacam instalação usada para carregamento de barcos com drogas na Venezuela, afirma Trump
Ação marca primeira operação dos EUA em território venezuelano desde o início da campanha de pressão contra o governo de Nicolás Maduro, segundo declarações do presidente norte-american
Foto: Isac Nóbrega/PR
WEST PALM BEACH, FLÓRIDA, 29 Dez (Reuters) – O presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira (29) que os Estados Unidos “atingiram” uma área na Venezuela utilizada para o carregamento de embarcações com drogas. A ação marca a primeira operação conduzida por Washington em território venezuelano desde o início da campanha de pressão contra o governo do presidente Nicolás Maduro.
“Houve uma grande explosão na área das docas onde os barcos são carregados com drogas”, declarou Trump.
“Atacamos todos os barcos e agora atacamos a área... é a área de implementação. É onde eles implementam, e isso não existe mais.”
Ainda não estava claro qual instalação foi atingida nem qual órgão do governo norte-americano conduziu a ação.
Questionado se a CIA teria realizado o ataque, Trump respondeu: “Não quero dizer isso. Sei exatamente quem foi, mas não quero dizer quem foi.”
Na segunda-feira, a CNN informou, citando fontes, que a CIA teria realizado um ataque com drones no início deste mês contra uma instalação portuária na costa venezuelana.
Segundo a emissora, o alvo foi uma doca isolada que os Estados Unidos acreditavam estar sendo utilizada pela gangue venezuelana Tren de Aragua para armazenar drogas e transferi-las para embarcações destinadas ao transporte internacional.
Trump já havia afirmado anteriormente que autorizou a CIA a conduzir operações secretas na Venezuela. Em um programa de rádio na semana passada, o presidente fez comentários imprecisos sobre uma suposta ação dos EUA contra uma “grande instalação” no país.
A CIA, a Casa Branca e o Pentágono não se manifestaram publicamente sobre as declarações e se recusaram a responder aos questionamentos da Reuters. O governo venezuelano também não comentou o episódio citado por Trump, e não houve relatos independentes na Venezuela confirmando o ocorrido.
A Primazol, fábrica de produtos químicos localizada no estado de Zulia que registrou um incêndio na véspera de Natal, negou rumores divulgados online de que o episódio estaria relacionado às declarações de Trump. A empresa informou ainda que o fogo foi controlado rapidamente e segue sob investigação. Moradores da região relataram à Reuters que ouviram uma explosão, viram o incêndio e sentiram cheiro de cloro.
O Ministério das Comunicações da Venezuela, responsável por centralizar os pedidos de imprensa do governo, não respondeu imediatamente a uma solicitação de comentário feita na segunda-feira.
O governo Trump vinha destacando apreensões bem-sucedidas de embarcações suspeitas de tráfico de drogas, e o Pentágono chegou a divulgar imagens de algumas dessas operações nas redes sociais.
A ausência de posicionamento das agências de segurança nacional dos EUA levantou questionamentos sobre se o episódio citado por Trump teria sido conduzido de forma sigilosa. Uma operação desse tipo provavelmente limitaria a possibilidade de autoridades comentarem publicamente o caso.
PRESSÃO SOBRE MADURO
No mês passado, a Reuters informou que os Estados Unidos estavam preparados para iniciar uma nova fase de ações relacionadas à Venezuela, à medida que o governo Trump intensificava a pressão sobre a administração de Maduro.
Na ocasião, duas autoridades norte-americanas disseram que operações secretas provavelmente seriam o primeiro passo dessa nova ofensiva.
A atuação dos EUA tem se concentrado principalmente em ataques militares contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas, ações que passaram a ser acompanhadas de perto pelo Congresso. Mais de 100 pessoas morreram em mais de 20 ataques realizados no Caribe e no leste do Oceano Pacífico.
No início deste mês, líderes militares dos EUA relataram a parlamentares um episódio ocorrido em setembro, no qual um ataque norte-americano matou 11 pessoas, mas deixou sobreviventes que teriam sido mortos em uma segunda ofensiva ordenada pelo almirante Frank Bradley.
Democratas no Congresso questionaram se esse segundo ataque respeitou as leis internacionais. A administração Trump também supervisionou um expressivo reforço militar dos EUA no Caribe, com o envio de mais de 15 mil soldados.
(Reportagem de Andrea Shalal, Erin Banco e Idrees Ali)
((Tradução Redação Barcelona))