Setor agro leva dados à COP30 e contesta discursos ambientais antigos
Produtores defendem papel da Amazônia produtiva e pedem mais reconhecimento internacional
Tânia Rêgo/Agência Brasil
A COP30 terminou em Belém com debates intensos sobre clima, preservação e desenvolvimento da Amazônia. Representantes do agronegócio apresentaram números e defenderam que o setor precisa ser visto também como parte da solução. O presidente da Faepa, Carlos Xavier, lembrou que o Pará tem grande potencial, clima estável e grande disponibilidade de água, mas ainda convive com problemas estruturais.
Produtores e líderes da região afirmaram que o estado é rico em recursos, mas enfrenta graves desafios sociais. Falta de saneamento, baixa infraestrutura e insegurança fundiária foram temas citados ao longo da conferência. Muitos destacaram que esses problemas são pouco discutidos nos debates internacionais.
A AgriZone, espaço criado pela Embrapa, CNA e Senar, recebeu produtores e especialistas e mostrou práticas sustentáveis adotadas no Brasil. Dados da Embrapa revelam que 65% do território nacional está preservado e que quase 30% dessa preservação está dentro de propriedades rurais. Na Amazônia, 83% da área permanece conservada.
Especialistas destacam que preservar tem custo e que esse peso é maior nas regiões mais pobres. Eles defendem que o produtor precisa ser mais incluído nas decisões e que os incentivos devem chegar a quem vive e trabalha na região. A avaliação é de que ainda falta reconhecimento internacional sobre o papel do agro brasileiro na preservação e na segurança alimentar.
No fim, a sensação geral foi de que os debates avançaram pouco e de que a realidade da Amazônia continua dependendo mais das pessoas que vivem nela do que das promessas feitas nas conferências.