O agronegócio é um dos principais motores da economia brasileira, mas também é alvo de críticas por concentrar terras e causar danos ambientais, principalmente no Cerrado. O bioma, conhecido como “berço das águas”, teve quase metade de sua vegetação nativa destruída, segundo dados do Mapbiomas.
Pesquisadores e ambientalistas alertam que o desmatamento ameaça a segurança hídrica do país. Já representantes do setor defendem que o agro gera empregos, renda e desenvolvimento em regiões pobres, como o Matopiba, área que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
O economista Danilo Fernandes, da Universidade Federal do Pará, diz que é preciso repensar o modelo de expansão. “O agro é importante, mas precisa ser contido. O desmatamento e o uso excessivo da terra trazem riscos ambientais e sociais”, afirmou.
O setor tem forte apoio do Estado. A Embrapa desenvolveu tecnologias que impulsionaram o plantio no Cerrado, e políticas como a Lei Kandir e o Plano Safra oferecem incentivos bilionários. Em 2025, o crédito rural chegou a R$ 516 bilhões para o agronegócio e R$ 89 bilhões para a agricultura familiar.
Apesar da importância econômica, especialistas apontam que o modelo é concentrador e pouco gerador de empregos. “Esses grandes produtores controlam o mercado e dependem de incentivos públicos. É um setor poderoso, com forte influência política em Brasília”, disse o pesquisador Bruno Bassi, do projeto De Olho nos Ruralistas.
O Ministério do Meio Ambiente afirma que busca parcerias com o agro para reduzir impactos e adotar práticas mais sustentáveis. “Não é apontar culpados, mas ajudar a encontrar caminhos que unam produção e preservação”, disse a diretora Iara Giacomini.
A reportagem faz parte da série especial Fronteira Cerrado, que investigou o impacto da expansão agrícola sobre os recursos hídricos do país.