A COP30, que será realizada em Belém em 2025, deve marcar um novo momento para o Brasil na agenda global do clima. Pela primeira vez, o país poderá mostrar como a agricultura tropical pode ser aliada da sustentabilidade e não vilã das emissões.
Segundo o pesquisador Leonardo Munhoz, o evento consolida o avanço iniciado em 2017 com o programa Koronivia, que abriu caminho para a discussão da agricultura dentro das metas climáticas. Desde 2022, com o Sharm el-Sheikh Joint Work, a ONU passou a focar na implementação prática dessas ações, incluindo metas e indicadores.
O Brasil entra nesse cenário com vantagem: tecnologias como integração lavoura-pecuária-floresta, bioinsumos e biocombustíveis já mostram resultados concretos. Para Munhoz, “a agricultura tropical é o elo entre segurança alimentar e energética, e a COP30 será a oportunidade de provar isso”.
Outro ponto central é a “tropicalização” das metodologias que medem emissões e captura de carbono. Hoje, os modelos globais se baseiam em países de clima temperado, o que prejudica as nações tropicais. Corrigir essas distorções é considerado essencial para que o Brasil seja reconhecido como referência em práticas de baixo carbono.
A expectativa é que Belém se torne o palco de uma nova fase da diplomacia climática brasileira, em que o país lidere uma aliança pela agricultura sustentável, mostrando que é possível alimentar o mundo e proteger o planeta ao mesmo tempo.