Estudo mostra que dieta altamente energética aumenta produção de embriões bovinos em mais de 20%

Estratégia antecipa a puberdade e permite peso para reprodução já aos 12 meses de idade

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Foto: Silvio Ávila/Mapa

Estudo da Embrapa Cerrados (DF) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) demonstra que planos alimentares de alta densidade energética em curto prazo aumentam em 21% a produção de embriões in vitro em novilhas pré-púberes e garantem retorno financeiro até 2,8 vezes maior em relação à dieta convencional. A estratégia também antecipa a puberdade das novilhas e pode ter seus resultados potencializados com o uso da melatonina, hormônio natural que contribui para melhorar a qualidade embrionária.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados, Carlos Frederico Martins, com base na avaliação genética feita a partir das Diferenças Esperadas na Progênie Genômicas (DEPs genômicas), já é possível identificar animais jovens (bezerras) com características de destaque para seleção na raça Nelore. “Entre elas, podemos considerar DEPs para crescimento, características maternas, eficiência alimentar e características de carcaça. Com essas informações, esses animais super jovens podem ser multiplicados por fecundação in vitro. No entanto, a eficiência dessa técnica tem sido baixa”, observa o pesquisador.

Para melhorar a reprodução assistida de bezerras e novilhas pré-púberes (a partir dos 6,5 meses), o estudo da Embrapa Cerrados testou o efeito da suplementação estratégica dos animais com dietas com diferentes níveis de energia. Foi oferecida uma suplementação nutricional para bezerras no final do desmame, e especialmente após o desmame, visando fornecer uma dieta com alta densidade energética por um curto período (4 a 5 meses). A proposta era melhorar o crescimento, o ganho de peso e a deposição moderada de gordura nos animais.

“Como resultado, as fêmeas com melhor desenvolvimento corporal apresentaram mais ovócitos viáveis (adequados para fecundação) em seus ovários, o que, consequentemente, resultou em mais embriões produzidos in vitro. Quando essa estratégia nutricional foi associada a uma abordagem laboratorial promissora (cultivo dos embriões na presença de melatonina), houve maior conversão de ovócitos em blastocistos (embriões) in vitro”, detalha.

Objetivos e impactos

Conforme explica o pesquisador, esse estudo teve como objetivo determinar os efeitos de dietas com diferentes níveis de energia sobre a qualidade e a quantidade de ovócitos, a produção de embriões in vitro e o desenvolvimento corporal de novilhas Nelore pré-púberes. “Também foi avaliado o efeito da nutrição associada a estratégias laboratoriais com o cultivo embrionário na presença de melatonina, um hormônio natural, sobre a competência ovocitária e a produção de embriões in vitro de novilhas pré-púberes”, acrescenta.

Segundo Martins, essa abordagem tem um enorme potencial para os programas de melhoramento, tanto de raças de corte como de leite. A técnica reduz ainda mais o intervalo entre as gerações e acelera o ganho genético dos rebanhos, contribuindo para aumentar a eficiência e a sustentabilidade dos sistemas de produção de leite e carne. O impacto é ainda mais significativo para as raças zebuínas, que são a base da maior parte do rebanho brasileiro e que tem puberdade mais tardia em relação aos taurinos.

“Assim, uma novilha Nelore de sete a oito meses já pode deixar vários descendentes com alto potencial genético, mesmo sendo esse animal imaturo. Esse animal suplementado ainda pode antecipar sua reprodução por monta ou inseminação artificial, pois atinge o peso mínimo e o desenvolvimento do aparelho reprodutivo próximo dos 14 meses de idade”, complementa.

Benefícios da estratégia e os desafios

Em relação aos principais cuidados e benefícios relacionados ao estudo, Martins destaca que, para reprodução em novilhas pré-púberes, é imprescindível utilizar somente os animais maiores, ou seja, com maior desenvolvimento corporal, e manuseá-los dentro das normas de ética para uso animal, com procedimentos higiênico-sanitários preconizados para garantir sua saúde

Sendo assim, ele reforça que uma gestão eficiente permite planejar e controlar todas as variáveis que afetam o desempenho reprodutivo das novilhas, tais como monitoramento nutricional individual, ajustes na dieta e planejamento de lotes com base nas informações genômicas.  Da mesma forma, o uso da tecnologia torna o processo mais prático e eficiente, tais como cochos eletrônicos, balança automática, ultrassom com probe adaptada para a anatomia das bezerras, ultrassonografia de carcaça e uso da fecundação in vitro.

Por fim, Martins alerta que a implementação da suplementação nutricional em bezerras e novilhas pré-púberes visando o melhor desempenho reprodutivo envolve alguns desafios técnicos, econômicos e de manejo. Os principais desafios são: variação individual (raça e processo de melhoramento genético empregado na fazenda), estrutura para alimentação (linha de cocho, cocho coberto nas águas, piquetes para separação dos lotes), balanceamento das rações e coleta dos ovócitos nessa categoria. Ou seja, é importante que o pecuarista tenha apoio técnico para auxiliá-lo nesse processo.

“O criador deve fazer uma avaliação de seu sistema e encarar a suplementação nutricional dessa categoria animal como um investimento, pois as novilhas pré-púberes serão suas matrizes e doadoras de embriões. Um animal suplementado nesse período pode produzir mais prenhezes e deixar mais descendentes na fazenda do que um animal não amparado nutricionalmente”, conclui o pesquisador.