Pré-COP30 antecipa consensos e prepara terreno para decisões concretas em Belém
Negociadores alinharam posições em Brasília, mas principais metas e acordos ainda dependem da cúpula da conferência
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/
A Pré-COP30, realizada em Brasília nos últimos dois dias, reuniu negociadores de 67 países para discutir pontos centrais da conferência sobre mudanças climáticas que ocorrerá em Belém, a partir de 10 de novembro. O evento preparatório não resultou em acordos formais, mas permitiu mapear pré-consensos e identificar limites de negociações antes do encontro oficial da Amazônia.
Segundo o embaixador André Corrêa do Lago, presidente designado da COP30, o encontro ajudou a organizar os principais pontos de entendimento e possíveis impasses. “Conseguimos alguns pré-consensos sem que sejam, de fato, consensos finais. Ainda falta muito, mas agora temos um mapa mais claro de onde cada país se posiciona”, disse em coletiva.
De acordo com Corrêa do Lago, dos 140 temas oficiais, a maioria é administrativa, enquanto seis a sete são prioritários, e cerca de 20 têm importância relevante para o avanço da conferência. “Avançamos significativamente, mesmo que a dinâmica das COPs exija suspense até as decisões finais”, acrescentou.
A ministra Marina Silva reforçou que os limites apresentados pelos países podem orientar conversas mais focadas e aprofundar diferenças, facilitando a busca por soluções durante a COP30. Ela destacou a importância de temas como clima e natureza, financiamento da preservação florestal e conservação dos oceanos, além de discutir transição energética e metas de adaptação climática.
Entre as iniciativas brasileiras, está a proposta de quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis até 2030, e o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com US$ 125 bilhões para preservação de biomas em cerca de 70 países. Cerca de 20% dos recursos serão destinados a comunidades indígenas e tradicionais, incentivando a conservação local.
Para Gustavo Souza, da Conservação Internacional, é essencial que recursos sejam efetivamente mobilizados. “Soluções baseadas na natureza podem gerar até 30% das reduções de emissões necessárias até 2030, mas recebem menos de 3% do financiamento climático. É crucial que o TFFF e mecanismos como o Artigo 6.4 do Acordo de Paris recebam adesões concretas.”Apesar do avanço em alinhamentos preliminares, grandes emissores ainda não renovaram formalmente suas metas, incluindo União Europeia e Índia. Até agora, apenas 62 de 195 países apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), representando 31% das emissões globais.
A sociedade civil reconhece o esforço da Pré-COP em criar um clima favorável ao multilateralismo, mas aponta a necessidade de ações concretas, principalmente na proteção das florestas. Como observou Camila Jardim, do Greenpeace Brasil, “um dos grandes diferenciais da COP30 é a Amazônia, mas ainda não vimos engajamento suficiente dos países sobre sua proteção urgente”.
O balanço final do evento em Brasília reforça que, embora pré-consensos e entendimentos tenham sido alcançados, a expectativa agora recai sobre a cúpula em Belém, onde decisões concretas e compromissos vinculantes deverão ser formalizados. A conferência promete ser um teste de implementação e soluções, conforme destacou a diretora-executiva da COP30, Ana Toni.São esses avanços que se espera que sejam acordados e aplicados após a conferência.