Estiagem acende alerta para cuidados com nutrição do gado
Oferecer suplementação específica para o período de seca contribui para evitar prejuízos como a perda de peso e mortalidade
Foto: Foto Sérgio Raposo / Embrapa
Em um universo de 39,27 milhões de bovinos abatidos no Brasil em 2024, de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente uma pequena fração teve acesso à suplementação estratégica que inclui produtos específicos para período de seca. Com a intensificação da estiagem em diversas regiões do país, pecuaristas precisam estar atentos às estratégias para garantir nutrição adequada a animais que dependem do pasto como principal fonte de alimentação.
Conforme avalia o consultor técnico nacional de bovinos de corte da Cargill, Eduardo Batista, a suplementação estratégica na seca é essencial porque o pasto perde muito em quantidade e qualidade nesse período. “Com menos proteína e fibra de pior digestibilidade, os animais deixam de consumir os nutrientes e a energia de que precisam para manter bom desempenho. Isso faz com que usem suas reservas de gordura e músculo, comprometendo saúde, reprodução e ganho de peso”, explica.
Segundo ele, ao oferecer o suplemento adequado, o pecuarista garante que o gado continue se desenvolvendo, as vacas prenhes tenham melhores índices de prenhez e os bezerros nasçam mais pesados e saudáveis. “Além do benefício direto no bolso, a suplementação também ajuda a reduzir o tempo até o abate e diminui a emissão de metano, tornando a produção mais sustentável. Em resumo: quem suplementa na seca não só evita prejuízos, mas também melhora os resultados do rebanho e da fazenda”, acrescenta Batista.
ImpactosDe acordo com o especialista, devido à redução na disponibilidade e queda na qualidade dos pastos, as atividades do campo relacionadas à mão de obra são altamente impactadas. A escassez de alimentos exige suplementação alimentar que pode variar, de suplementos proteicos de baixo consumo a rações de alto consumo, até o fornecimento de dietas completas, com uso de volumosos e concentrados – tudo isso a depender da estratégia de cada propriedade. Alguns desses suplementos, usados durante a seca, demandam fornecimento diário, o que aumenta de forma significativa a necessidade de mão de obra.
Em complemento, Batista destaca que, nesse sentido, os desafios principais são garantir oferta suficiente de forragem de qualidade, realizar suplementação com planejamento e infraestrutura adequados, e superar barreiras culturais para adotar práticas que aumentem a produtividade e a sustentabilidade da pecuária na época seca. “Muitos pecuaristas ainda não reconhecem os benefícios da suplementação proteica estratégica durante a seca, que está comprovadamente associada a melhores resultados zootécnicos e econômicos. Também é necessário lidar com os custos adicionais da suplementação e a adaptação da propriedade para a entrega eficiente desses recursos”, orienta..
Como a gestão e a tecnologia podem contribuir para reduzir esses impactosPara Batista, a gestão eficiente e o uso da tecnologia são fundamentais para reduzir os impactos da estiagem na pecuária, garantindo a saúde do rebanho e a sustentabilidade econômica e ambiental da atividade. Na gestão, o planejamento antecipado é essencial, com práticas como o diferimento de pastagens, que consiste em reservar áreas produtivas no final do período chuvoso para garantir maior oferta e qualidade de forragem durante a seca.
Segundo ele, também é crucial o dimensionamento adequado da suplementação proteica, ajustando tipos e quantidades de suplementos conforme a disponibilidade de pasto e os objetivos produtivos, além de garantir infraestrutura adequada de cochos e logística para o fornecimento eficiente. No campo tecnológico, é possível recorrer aos avanços em aditivos nutricionais, como ionóforos, prebióticos, probióticos e posbióticos, que melhoram a fermentação ruminal, aumentam a digestibilidade da fibra e reduzem a emissão de metano, contribuindo para a sustentabilidade ambiental.
Na avaliação do consultor, tecnologias de monitoramento climático e de saúde animal permitem tomadas de decisão mais rápidas e precisas, facilitando ajustes no manejo nutricional e sanitário para minimizar os efeitos do estresse hídrico. Além disso, sistemas de irrigação inteligentes e cultivos de forrageiras resistentes à seca oferecem suporte para a produção alimentar em períodos críticos, diminuindo a dependência de pastagens naturais que são severamente afetadas pela estiagem. “A combinação de boa gestão com tecnologias adequadas potencializa os ganhos produtivos, reduz as perdas e fortalece a sustentabilidade da pecuária em contextos de seca prolongada”, conclui Batista..