Crise de confiança na indústria trava crescimento de setores no Brasil

Juros elevados e instabilidade econômica derrubam confiança de empresários industriais

Por -Da Redação, com CompreRural
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Foto: José Paulo Lacerda/CNI

A indústria brasileira enfrenta um cenário de desânimo praticamente generalizado. De acordo com levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 25 de setembro de 2025, nada menos que 27 dos 29 setores pesquisados avaliam o ambiente atual como desfavorável para expansão.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) Setorial, que serve como termômetro das intenções de investimento e planos de crescimento, registrou queda em 12 áreas apenas no mês de setembro, reforçando a gravidade do momento. As únicas exceções à onda negativa foram os segmentos farmoquímico/farmacêutico e de produtos diversos, que conseguiram manter algum grau de otimismo.

Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, os juros elevados estão entre os principais fatores da crise. Eles encarecem o crédito ao consumidor, especialmente em setores que dependem de compras de maior valor ou parceladas, o que reduz a demanda e afeta toda a cadeia produtiva.

A instabilidade econômica também contribui para a insegurança, dificultando o planejamento de contratos de longo prazo, a realização de investimentos, a contratação de trabalhadores e até mesmo o avanço em inovação tecnológica.

Os efeitos da crise se espalham por empresas de diferentes portes e praticamente todas as regiões do país. No Sudeste, o ICEI marcou 45,3 pontos, enquanto no Sul ficou em 43,5 e no Norte em 47,9, todos abaixo da linha de confiança.

Apenas Centro-Oeste (50,8 pontos) e Nordeste (51,5 pontos) registraram índices ligeiramente positivos, mas ainda em níveis modestos. O cenário de incerteza tem levado empresas a adiar planos de expansão, frear a produção e reduzir o ritmo de investimentos, comprometendo a competitividade do setor industrial brasileiro frente a concorrentes internacionais.

A crise de confiança, portanto, vai além de números isolados: ela paralisa projetos, impede avanços estruturais e ameaça a retomada sustentável da economia. Para reverter o quadro, especialistas defendem a necessidade de políticas que reduzam o custo do crédito, aumentem a previsibilidade macroeconômica e enfrentem entraves históricos do chamado “Custo Brasil”. Até que haja mudanças concretas nesse sentido, a tendência é que os empresários mantenham cautela, limitando o crescimento e postergando decisões estratégicas.