Tarifas dos EUA podem afetar produtos do agro brasileiro, alerta CNA

Entidade classifica impacto como "crítico" para café, suco de laranja e carne bovina industrializada

- Da Redação, com Canal Rural
04/04/2025 07h41 - Atualizado há 1 dia
Tarifas dos EUA podem afetar produtos do agro brasileiro, alerta CNA
Foto; reprodução

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou na quinta-feira (3) uma nota técnica avaliando os impactos do novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras do agronegócio. A entidade aponta que 19 produtos do setor poderão sofrer efeitos críticos ou altos, incluindo café verde, suco de laranja, carne bovina industrializada e etanol.
 

Os Estados Unidos são atualmente o terceiro maior destino das exportações do agro brasileiro, ficando atrás apenas de China e União Europeia. Em 2024, o país norte-americano foi responsável por 7,4% das exportações do setor, totalizando US$ 12,1 bilhões.
 

Setores mais vulneráveis
 

Segundo a CNA, os produtos classificados como "críticos" são aqueles para os quais não há alternativas viáveis de redirecionamento para outros mercados, devido à forte dependência do mercado norte-americano. Já os produtos de "alta exposição" terão dificuldades em absorver a produção excedente, enquanto aqueles de "exposição leve e moderada" ainda podem encontrar oportunidades em outros mercados.
 

No caso do café verde, por exemplo, os Estados Unidos representaram 17% das exportações brasileiras em 2024. Já o suco de laranja teve 31% das suas vendas externas destinadas ao país. Segundo a CNA, as tarifas adicionais podem reduzir a competitividade brasileira, afetando diretamente a renda dos produtores.
 

Outros produtos que devem ser fortemente impactados incluem: Suco de laranja resfriado (90% das importações dos EUA vêm do Brasil); suco de laranja congelado (51%); carne bovina termoprocessada (63%); e etanol (75%).

 

Possíveis medidas do Brasil
 

Apesar do alerta, a CNA considera que ainda é cedo para mensurar as perdas que o setor poderá sofrer, pois as novas tarifas afetam também outros países exportadores de produtos agropecuários.
 

A entidade avalia que ações retaliatórias devem ser adotadas somente em último caso, após o esgotamento das negociações diplomáticas. Uma das possíveis respostas do Brasil pode ser a aplicação do Projeto de Lei 2088/2023 (PL da Reciprocidade), que já foi aprovado pelo Congresso Nacional e aguarda sanção presidencial.

 

 


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