Após atingir o patamar de R$ 5,80 no início do dia, o dólar perdeu força no Brasil e encerrou a sessão desta terça-feira (25) praticamente estável. O movimento refletiu a queda da moeda norte-americana no exterior e a baixa nos rendimentos dos Treasuries, em meio a preocupações sobre a economia dos Estados Unidos. O dólar à vista registrou leve baixa de 0,04%, encerrando o dia cotado a R$ 5,7525.
No acumulado de 2025, a moeda norte-americana apresenta desvalorização de 6,90%. Na B3, às 17h08, o dólar para março – contrato mais líquido – recuava 0,28%, sendo negociado a R$ 5,7570.
A sessão começou com uma alta expressiva do dólar frente ao real, contrariando a tendência observada no exterior, onde a moeda americana cedia frente a outras divisas. Ainda na primeira hora de negócios, às 9h58, o dólar à vista atingiu a máxima do dia, cotado a R$ 5,8143, um avanço de 1,04%. Segundo Gustavo Jesus, sócio da RGW Investimentos, esse movimento precisa ser analisado em uma janela maior, lembrando que a moeda chegou a ser negociada próximo a R$ 6,20 antes de cair para a casa dos R$ 5,70 nas últimas semanas.
Com a valorização acima de R$ 5,80, alguns agentes do mercado aproveitaram para vender dólares, reduzindo a força da moeda norte-americana frente ao real. Além disso, dados fracos sobre a confiança do consumidor nos Estados Unidos e a queda acentuada nos rendimentos dos Treasuries reforçaram a tendência de desvalorização do dólar no mercado global. A política tarifária do governo de Donald Trump também gerou incertezas, contribuindo para o cenário de busca por ativos mais seguros, como os títulos do Tesouro dos EUA.
Durante a tarde, o dólar à vista atingiu a mínima do dia, sendo negociado a R$ 5,7456 às 15h43, representando uma queda de 0,16%. A perda de força da moeda esteve alinhada ao avanço do Ibovespa, que registrou alta firme na B3. No mercado de Depósitos Interfinanceiros (DIs), o cenário foi mais complexo, com taxas em queda na ponta curta da curva a termo e alta na ponta longa.
Os investidores seguem atentos ao futuro da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,25% ao ano, ajustando suas posições nos diferentes mercados brasileiros. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o IPCA-15 de fevereiro, considerado uma prévia da inflação oficial. O índice subiu 1,23%, marcando a maior alta desde abril de 2022 (1,73%), mas veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava avanço de 1,33%.
O mercado praticamente dá como certa uma elevação de 100 pontos-base na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março. No entanto, ainda há dúvidas sobre os rumos da taxa de juros em maio. De acordo com André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, o aumento do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, projetado para crescer ainda mais até o meio do ano, tem favorecido a valorização do real frente ao dólar nas últimas semanas.
No cenário internacional, às 17h32, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, apresentava queda de 0,46%, sendo cotado a 106,260 pontos.