19/08/2021 às 15h00min - Atualizada em 19/08/2021 às 15h00min

Inflação: MB revisa IPCA para 7,3% em 2021 e 4,1% em 2022

A MB Associados revisou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano de 7% para 7,3% e, para 2022, de 4% para 4,1%.

O índice oficial de inflação deve chegar a 9,3% no acumulado de 12 meses em agosto e o INPC, referência para o reajuste do salário mínimo e aposentadorias, a 10%.

“Corremos o risco de novas revisões para cima a depender da piora adicional das tarifas na energia, sem esquecer que a variante delta tende a manter o estrago nos canais mundiais de distribuição, afetando com mais intensidade a Ásia. Para piorar, os serviços estã o acelerando e poderemos ver a taxa chegar a rapidamente a 4% nos próximos meses”, escreve o economista-chefe da MB, Sergio Vale, em relatório enviado a clientes.

Vale faz um paralelo com o período 2015/2016, de forte aumento de inflação, e observa que as taxas atuais em 12 meses do IPCA não estão muito melhores do que o pico atingido em janeiro de 2016, de 10,7% no IPCA. Naquele momento, a Selic estava em 14,25%, contra 5,25%.

“Não queremos dizer, obviamente, que a Selic voltará para esse patamar. Mas a economia melhorou nos meses seguintes com a queda de Dilma e daqui para a frente a tendência não é de melhorar, mas o contrário”, escreve o economista.

Entre janeiro de 2016 e outubro daquele ano o câmbio caiu 21%. Seria como dizer que, agora, o câmbio chegaria a R$ 4,3 em dez meses. “Dada uma eleição mais do que conturbada, certamente o câmbio não vai ser elemento de ajuda”, observa Vale, prevendo que será difícil ver uma normalização em 2022.

A tendência, escreve o economista, parece ser de uma espiral de piora que colocará um peso crescente sobre o Banco Central para evitar que a inflação piore ainda mais. “Vale ainda dizer que um novo La Nina pode voltar a trazer problemas para a agricultura no Sul e Sudeste, mas também Argentina, afetando a produção de grãos. [Commodities] Metálicas e petróleo não têm os estímulos de saída da crise que tiveram ano passado, mas também não há sinais do contrário, ou seja, a retomada dará sustentação de demanda para esses segmentos especialmente em 2022 com a população mundial mais vacinada”.

No relatório, a MB não descarta revisões para cima no IPCA e na Selic, projetada em 7,75% no fim deste e do próximo ano, de atuais 5,25%. E revisões para baixo no PIB, em 4,7% e 1,4%, respectivamente.

Em 2022, o ano eleitoral deve aumentar os riscos, lembra Vale. “O custo Bolsonaro está aumentando com um cenário em que saídas políticas rápidas não estão próximas. Fica o alerta de que talvez já tenhamos passado do ponto e que a melhora só virá com mudança política em que Bolsonaro não seja mais presidente, seja por impeachment seja pela derrota provável na eleição”.

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