André Luiz Casagrande

Jornalista especializado em agronegócio


Tudo pelo bem-estar do rebanho

24/12/2021

Tudo pelo bem-estar do rebanho O jornalista especializado em agronegócios , André Luiz Casagrande, fala do projeto Redução da Marca Fogo na Coluna Gestão Robusta (Foto: Agência Brasil)

O tema sustentabilidade está presente em todo o mundo, seja para preservar o ambiente, para dar conforto aos animais e para a satisfação dos empregados. Nesse sentido, um exemplo é o projeto Redução da Marca a Fogo, costurado com base nas experiências do professor Matheus Paranhos, pós-doutor em bem-estar animal e coordenador do Grupo Etco (Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal), da Unesp Jaboticabal, SP.

Tudo começou há cerca de sete anos, junto com a pecuarista Carmem Peres, da Agropecuária Orvalho das Flores, em Barra do Garças, MT, projeto que reúne um rebanho de cerca de 3.000 animais.  Ela apresentou a demanda, o professor Paranhos abraçou a causa e começou a trabalhar na ideia, pesquisando novas tecnologias para reduzir e substituir a marca a fogo.

“O professor Paranhos entrou em contato com entidades do setor, como a Associação dos Criadores de Zebu (ABCZ), questionando a obrigatoriedade da marca. Também enviou uma carta ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), sugerindo repensar sobre o assunto”, conta a veterinária Ana Luiza Mendonça Pinto, que se uniu ao professor e mais duas sócias, e criaram, há cerca de um ano e meio, a BE. Animal¸ voltada para o desenvolvimento de estratégias de boas práticas de bem-estar animal na pecuária.

Assim surgiu o projeto Redução da Marca a Fogo, liderado pela BE. Animal; o Grupo Etco; e a Fazenda Orvalho das Flores, com o apoio das MSD Saúde Animal, por meio da marca Allflex, e do JBS.

Para desenvolver atividades propostas ao longo de um ano, visando à substituição da marcas de fogo pela identificação dos animais por meio de brincos e outros dispositivos, foram escolhidas quatro fazendas, que se tornariam referências no novo manejo: Agropecuária Marcondes Cesar, de São José dos Campos, SP; Grupo Rio Corrente Agropastoril, dono da Fazenda da Serra, em Coxim (MS), e da Fazenda Baia do Lara, em Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense; Fazenda Camburi, MT, e Fazenda das Palmeiras, em Ituiutaba, MG.

De acordo com Ana Luiza, em cerca de seis anos, a Agropecuária Orvalho das Flores conseguiu reduzir em 65 mil as marcas de fogo nos animais. Ela conta que em um evento realizado dia 13 de dezembro, uma das propriedades relatou que, conseguiu, em apenas um ano, registrar 32 mil marcas a menos.

“Esses resultados nos incentivam a expandir o projeto para outras fazendas, isso porque estamos trazendo não somente o conhecimento científico, mas sim, dados consistentes, com base na ciência”, observa a veterinária. “Ao aplicar novos métodos, comprovamos que é possível substituir as marcas a fogo por tecnologias mais modernas, que vão trazer outros benefícios para a fazenda, em gestão e eficiência de trabalho.”

O ponto de partida para do projeto é o diagnóstico de situação, por meio de visita in loco, em cada propriedade, para entender o sistema de trabalho, o total do rebanho, as marcas utilizadas, regiões aplicadas, se é para a identificação dos animais, da fazenda, ano e mês de nascimento, etc. “A partir desses dados, traçamos um plano com as propriedades para verificar quais práticas poderiam ser substituídas por outros instrumentos de identificação, como, por exemplo, tatuagem, brincos e botons, tanto eletrônicos como visuais”, esclarece.

A proposta foi atuar já com os bezerros, para a segurança dos manejos, desde os primeiros dias de vida, para que o animal não precisasse receber a marca. “Os participantes relatam sobre as mudanças de atitude no manejo dos animais, como maior atenção e cuidado, não somente na identificação, mas na melhoria nos dados sanitários”, cita.

A recomendação da BE. Animal é identificar mães e bezerros com um colar relacionado com o número da mãe, para facilitar o segundo manejo. “Essa etapa envolve a aplicação do vermífugo, a cura do umbigo, o furo na orelha, a avaliação geral do animal e a tatuagem”, conta. Conforme Ana Luiza, entre os próximos passos está a renovação do apoio com as empresas e a inclusão de outras fazendas no projeto.

 

 

 

 

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