André Luiz Casagrande

Jornalista especializado em agronegócio


Transformação digital: Mais que uma tendência

03/12/2021

Transformação digital: Mais que uma tendência O jornalista André Luiz Casagrande fala da revolução que a tecnologia pode provocar no agronegócio (Foto: Pixabay)

Mais do que romper barreiras, a transformação digital é o futuro daqueles que pretendem se manter no mercado de forma produtiva e sustentável. No agro não é diferente: cada vez mais os avanços tecnológicos irão impactar positiva, ou negativamente, o desenvolvimento das atividades desse segmento.

“A transformação digital é um tema que tem impactado nossas vidas em várias dimensões, não apenas no mundo urbano, mas também no mundo rural. Temos visto uma profusão de soluções tecnológicas que estão facilitando a gestão das unidades produtivas e os processos inerentes a toda cadeia agropecuária”, destaca Donário Lopes de Almeida, idealizador do HackatAgro, iniciativa que reúne produtores, startups, investidores, empresas e entidades, com o objetivo de promover a colaboração entre parceiros que buscam o desenvolvimento digital atualmente.

Diante desse cenário, com o mundo em disrupção de conceitos e paradigmas, não falar sobre inovação e transformação digital é ingenuidade. “Temos, atualmente, além da introdução do 5G, uma explosão de foodtechs e uma série de confluências que proporcionam ao agro e àqueles que trabalham no setor inúmeras oportunidades de crescimento, pela posição estratégica que o segmento tem em termos de geração de riqueza e de prosperidade para a sociedade”, aponta Almeida.

Segundo ele, em algumas atividades relacionadas ao agro isso já vem acontecendo, devido à expansão do acesso à internet, e às redes sociais. ”Essa conectividade tem aumentado diuturnamente, facilitando esse processo e promovendo o desenvolvimento e a disseminação de informações com uma velocidade bem maior do que víamos num passado recente”, avalia.

O desenvolvimento de soluções digitais para as atividades pecuárias, de acordo com o idealizador do HackatAgro, está muito presente, principalmente com a criação e a disseminação das ferramentas de gestão e os controles das propriedades com plataformas de comunicação que dão acesso às informações e às tecnologias necessárias aos produtores rurais.

“Em outra frente, já começam a aparecer, como soluções, ferramentas de comercialização, que facilitam a vida do produtor na cotação de preços, na identificação do melhor custo benefício na hora de adquirir os insumos, e também na área de vendas, com acesso a plataformas que permitem que esse pecuarista possa vender seus produtos de forma digital”, acrescenta.

Segundo Almeida, a nova economia é um tripé, baseado em novas tecnologias, novas formas de gestão e novos modelos de negócios. “Porém, antes de falar em tecnologia, é preciso pensar a maneira de se relacionar com o ecossistema de inovação, em busca de soluções que auxiliem o enfrentamento dos desafios”, explica e acrescenta que essas ferramentas também servem para disseminar informações com o objetivo de capacitar a mão de obra para que essa atue de forma mais eficiente e profissional.

Outro ponto abordado como fundamental pelo executivo, no quesito introdução da informatização nas propriedades, é a inserção do tema da digitalização nos processos seletivos.

“Quando for contratar um profissional para trabalhar na propriedade, o pecuarista deve questionar o quanto ele está adequado aos processos digitais e o quanto ele está inserido nessa nova tendência”, recomenda. “Além disso, é importante, nos planos de capacitação da propriedade, já ter incorporado o tema digitalização e o uso de ferramentas digitais nos processos produtivos.”

Para acompanhar a evolução rápida e constante das tecnologias digitais e para lidar com uma profusão de soluções disponíveis atualmente para os pecuaristas e agricultores, Almeida sugere buscar informação em sites de conteúdo, além de acompanhar programas de relacionamento de fornecedores. “Muitos fornecedores de insumos possuem ferramentas digitais com soluções interessantes, assim, a conexão com esses parceiros pode ser a porta de entrada para trazer o tema da digitalização e fomentar as soluções digitais no campo”, finaliza.

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