André Luiz Casagrande

Jornalista especializado em agronegócio


Qual o segredo de uma boa gestão?

29/07/2022

Qual o segredo de uma boa gestão? . (Foto: Divulgação)

Para especialista, capacitação continuada e habilidades sociocomportamentais são fundamentais

O produtor precisa de dois elementos importantes para uma boa gestão da propriedade rural. O primeiro é a capacitação continuada em conteúdos e o segundo são habilidades técnicas, com o intuito de construir a base de conhecimentos necessários para implementação da organização do negócio e desenvolvimento de habilidades sociocomportamentais, estruturando a competência para desempenhar o papel de gestor. A análise é do pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Vinicius do Nascimento Lampert.

Segundo o pesquisador, as habilidades relacionam-se ao conhecimento técnico e necessário para o processo produtivo propriamente dito, assim como métodos e técnicas de gestão, noções de planejamento e plano de negócios, melhoria de processos, finanças e custos, marketing, etc. “Vale ressaltar que o conhecimento técnico-científico específico da área é importante, assim como ter uma vasta bagagem cultural e estar por dentro de tendências e inovações”, comenta.

Quanto às habilidades sociocomportamentais, Lampert afirma que o produtor precisa desenvolver habilidade de comunicação, de organização de tarefas, dados e do tempo; de negociação ou de resolução de conflitos; de adaptabilidade/resiliência diante de adversidades ou dificuldades, dentre outras capacidades interpessoais e atributos pessoais que trarão diferenciais para gerenciar emoções, manter interações sociais e tomar decisões responsáveis. 

“Um amplo conjunto de habilidades (técnicas e sociocomportamentais) trará a competência para o produtor desempenhar determinada atividade, encontrando alternativas inteligentes e de melhor uso de recursos para solucionar problemas de forma eficiente”, analisa o pesquisador.

Lampert também considera importante que o produtor estabeleça um tempo para gestão, ou seja, que dedique algumas horas na semana ou no dia para a anotação de dados e análise da situação e evolução destes dados, organize as tarefas e o calendário de atividades, analise o processo e estabeleça as melhorias, planeje as metas do seu negócio, se atualize sobre mercado, tecnologias, tendências, etc. “Como as demais atividades da propriedade, a gestão requer a dedicação de um tempo”, pondera. 

“Organize seu local de trabalho, determine calendário anual, mensal e semanal de atividade com prazos e o deixe de forma visual e de fácil acesso para você e os demais envolvidos, liste as atividades pelo grau de importância e urgência, tenha um plano B para algum imprevisto (técnica do ‘se-então’), etc.”, orienta Lambert.

Conforme explica, a gestão tem quatro funções que se relacionam e se complementam: planejamento, organização, direção e controle. “Tais elementos traduzem o processo de produção que necessita ser planejado (O quê? Quando? Onde? Quem? Por quê? Quanto? Como?), ter uma organização mínima para a operacionalização, garantir sua execução, além de mecanismos de mensuração e monitoramento de ações e resultados obtidos (painel de indicadores de desempenho) para agir e corrigir os desvios”, detalha.

De acordo com o pesquisador, registrar, quantificar e monitorar são passos importantes na gestão da atividade agropecuária para que o produtor possa identificar gargalos e pontos de melhoria, tomando decisões com base em informações confiáveis. 

“Não há gestão sem controle, mensuração e organização de dados. No entanto, esse processo sempre foi visto como trabalhoso dentro das propriedades”, comenta. “Para essa tarefa, o produtor pode contar com ferramentas que o ajudem a planejar e a mensurar sua situação e desempenho”, conclui.

Nesse sentido, Lambert lembra que a agricultura digital disponibiliza Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) que facilitam o registro, automatizam a coleta de dados, organizam informações das atividades, analisam os indicadores de desempenho e sugerem e implementam ações corretivas, monitoram informações de mercado, executam operações de compra e venda e interação com fornecedores e clientes, auxiliando o produtor no planejamento, organização e tomada de decisões.

Lampert informa que há oferta de muitos softwares, aplicativos móveis, plataformas digitais e marketplaces voltados para a gestão operacional, de qualidade, mercadológica e econômico-financeira, além de tecnologias de sensores, visão computacional, telemetria, computação em nuvens, aprendizado de máquina, automação, dentre outras. “Essas ferramentas facilitam coleta, armazenamento in loco ou remoto, transmissão e análise de um grande volume de dados para apoio à tomada de decisão ou correção de desvios”.

Nesse sentido, ele destaca as ferramentas digitais para gestão da atividade pecuária geradas por universidades, instituições de pesquisa e empresas do setor privado fornecedoras de tecnologias digitais para a agropecuária. “Um colega da Embrapa realizou um levantamento de softwares de gestão para pecuária de corte e identificou a disponibilidade de 70 ferramentas”, conta Lambert. As ferramentas podem ser acessadas clicando aqui. Vinicius também cita as seguintes tecnologias disponíveis ao produtor:

Gerenpec (ferramenta para auxiliar no planejamento com simulação de fazenda de pecuária de corte ao longo de 10 anos), C7 Gado de Corte (para o registro de operações de manejo de rebanho bovino de corte georeferenciais), Roda da Reprodução (gestão de dados de manejo reprodutivo de rebanhos leiteiros), SuplementaCerto (avaliação de custo/benefício de suplementação alimentar na seca) e Controlpec (planilha eletrônica para registro e sistematização de despesas, receitas e margens econômicas da atividade de pecuária), Custobov (calcula o custo de produção dos produtos da fazenda pecuária e as margens que refletem seu desempenho econômico).

Na página da Embrapa é possível encontrar diversos aplicativos disponíveis para Android ou iOS (https://www.embrapa.br/aplicativos).

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