André Luiz Casagrande

Jornalista especializado em agronegócio


Projeto Pecuária do Futuro: Iniciativa liderada pela Embrapa desenvolve ferramentas de gestão e tecnologia para a produção animal

18/03/2022

Projeto Pecuária do Futuro: Iniciativa liderada pela Embrapa desenvolve ferramentas de gestão e tecnologia para a produção animal Frigoríficos exportadores voltam a procurar bois terminados (Foto: Agência Brasil)

O Projeto Pecuária do Futuro, coordenado pela Embrapa, está buscando várias soluções voltadas para a produção animal. Entre elas estão ferramentas de suporte à escolha de forrageiras para implantação de pastagens para gado de corte, ferramenta de orçamentação forrageira e planejamento estratégico da alimentação de bovinos em sistemas pastoris em propriedades de pecuária de corte e ferramenta de monitoramento da produção de forragem nas mesmas propriedades.

Completa a lista do projeto o desenvolvimento de sistema de suporte e adaptação da pecuária extensiva às inundações do Pantanal, o sistema de informação de risco de incêndio para o Pantanal, sistema de tomada de decisão para a substituição de vegetação nativa por pastagem exótica e sistema de identificação de bovinos por meio de imagens.

Fazem parte dessas soluções as ferramentas de monitoramento dos sistemas de produção de gado de corte adequadas às exigências em sustentabilidade. Segundo Patricia Menezes Santos, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste, essas tecnologias podem contribuir de muitas formas, mas é preciso conhecer os sistemas de produção, as demandas dos produtores e da sociedade.

Por exemplo, ela explica que as imagens de satélite podem auxiliar no diagnóstico das condições das pastagens na fazenda e apoiar decisões sobre sua recuperação e/ou melhoria. “Sensores colocados nos animais podem ajudar a melhorar a sanidade e o bem-estar do rebanho, aumentando a produtividade e garantindo a segurança dos alimentos”, pontua.

Patrícia acrescenta que os sistemas de rastreabilidade permitem aos consumidores acessar informações sobre a origem dos produtos, a sua forma de produção e escolher o que comprar em função daquilo que acreditam ser melhor para todos. “Ferramentas de monitoramento também podem ser usadas para avaliar os serviços ambientais prestados pelas pastagens, permitindo a remuneração diferenciada de produtores que adotem práticas nesse sentido”, diz.

Soluções diferenciadas

Na opinião da pesquisadora, o ideal é que as soluções sejam testadas no ambiente de utilização final e ajustadas sempre que necessário. Isso já é feito com tecnologias mais tradicionais.

“Por exemplo, ao longo do desenvolvimento de uma nova cultivar de forrageira, ela precisa ser avaliada nas condições para a qual será recomendada. São feitos vários ensaios regionais nos quais o novo capim é avaliado e suas vantagens em relação aos já disponíveis são aferidas”, relata. “Se ele não apresentar um bom desempenho, não é recomendado para aquela situação.”

Os gargalos

O desenvolvimento de tecnologia enfrenta gargalos de naturezas distintas. De acordo com Patrícia, há questões de pesquisa que precisam ser vencidas, desde o ajuste de sensores e equipamentos até o desenvolvimento de algoritmos. “Para algumas soluções, a questão da conectividade do campo é crucial. Mas talvez, o principal gargalo seja entender as dificuldades dos produtores no campo e desenvolver ferramentas adequadas ao ambiente de produção”, pondera. “Esse é um ponto que podemos avançar bastante.”

Dentro das fazendas, ela conta que um gargalo citado com frequência é relacionado a mão de obra: baixa capacitação, escassez e alta rotatividade das pessoas. “Os baixos índices de educação são uma dificuldade que o País enfrenta em diversos setores, e na pecuária não é diferente. Qualquer solução que seja levada ao campo precisa incorporar formas de contornar esse gargalo”, avalia.

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