André Luiz Casagrande

Jornalista especializado em agronegócio


Pastejo rotacionado: Gestão do pasto impacta diretamente na produtividade

08/04/2022

Pastejo rotacionado: Gestão do pasto impacta diretamente na produtividade A coluna Gestão Robusta desta semana fala os benefícios do pastejo rotacionado (Foto: Pixabay)

Uma das alternativas mais eficientes para o pecuarista intensificar a produção, manter-se na atividade de forma competitiva e melhorar a lucratividade da propriedade de forma sustentável é através da adoção do sistema de pastejo rotacionado. 

“Com esse tipo de exploração é possível melhorar o aproveitamento do pasto e a taxa de lotação, o que resulta em maior produtividade”, informa o zootecnista, doutor em Nutrição Animal e coordenador técnico da Premix, André Pastori D’Aurea.

De acordo com o zootecnista, o sistema é capaz de aumentar a produção por área, oferecendo vantagens como baixo custo de implantação, aumento da lotação e produção por área, melhor controle e intensificação do uso da pastagem e forragem disponível.

O especialista destaca ainda que um dos benefícios do pastejo rotacionado é proporcionar a melhor colheita das folhagens. “O animal consome dois terços de uma folha. Assim, ao adotar o sistema rotacionado, ou alternado, é possível promover uma melhor colheita da forragem e, com isso, potencializar o poder de rebrota”, analisa. 

Consequentemente, de acordo com Pastori, essa folhagem terá um valor nutricional maior, comparado ao sistema convencional. “O pastejo alternado também pode ser uma opção por conta do período de descanso, porém, é preciso estar atento para o ajuste de lotação”, explica.  O sistema consiste em transferir os animais para pastos mantidos em reserva, a fim de proporcionar descanso à pastagem. “É outro recurso muito comum para evitar o esgotamento do pasto pelo manejo contínuo”, complementa. 

Pastori acrescenta que o pastejo rotacionado contribui para a recuperação e fortalecimento do rebrote do pasto, melhorando a distribuição de resíduos animais e a ciclagem de nutrientes no solo. “O sistema serve também para intensificar os animais de produção, principalmente os mais produtivos e com potencial para ganho. No entanto, todos os animais do rebanho podem pastejar em rotacionado, desde que o sistema tenha sido dimensionado com espaço suficiente para todos”, orienta.

Segundo o zootecnista, antes de implantar o pastejo rotacionado é preciso avaliar a forragem que será explorada, o número de dias necessários para o descanso, as estruturas de cochos e bebedouros e a disponibilidade adequada de sal, suplemento e água.

“O criador também deve corrigir e adubar o solo (caso seja necessário), verificar os dias de ocupação que os animais farão no piquete e não se esquecer de treinar seus colaboradores sobre o manejo do novo sistema”, ensina e acrescenta que o manejo no curral, corredores, entrada e saída do piquete interferem diretamente no sucesso do sistema. “Por isso, é importante disponibilizar um espaço que permita a boa circulação do rebanho e preparar a equipe para conduzir os animais sem estresse”, alerta.

Segundo Pastori, alguns criadores interpretam erroneamente o sistema rotacionado, acreditando que se o sistema melhora a produção, consequentemente, aumentará o pasto no inverno e, por esse motivo, o gado não precisará de suplementação. “Essa ideia está equivocada, já que a estacionalidade de produção de forragem ocorrerá normalmente, por isso será necessário suplementar os animais” pontua.

Ele ressalta que uma coisa não exclui a outra, até porque, quanto mais intensivo o manejo do   pasto, mais oportunidade há para ganhar dinheiro complementando a entrega daquele pasto com o suplemento. “O suplemento mineral sempre terá que existir, porque o pasto, constantemente, terá deficiência, pelo menos, nos microminerais e sódio”, explica.

Com relação a qual melhor forrageira, Pastori informa que há muito material bom no mercado, porém, a escolha está muito mais relacionada ao trato cultural que será feito antes e depois para manter essa forragem.

“É preciso avaliar qual o tipo de forragem melhor se adaptará à região onde se pretende adotar o pastejo rotacionado. Isso deve estar relacionado com o tipo de solo, altitude, índice pluviométrico, entre outras características”, diz.

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