Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


O ciclo de negócios da arroba do boi gordo

18/01/2022

O ciclo de negócios da arroba do boi gordo Arroba do boi perde valor em várias praças no país (Foto: Agência Brasil)

Uma semana na qual há o claro efeito de escalas mais cheias na indústria frigorífica. Eu escrevi sobre este tema nas duas últimas semanas. O efeito, de um assédio menor, por conta de uma garantia mais elástica de animais para a atividade fabril trouxe pressão negativa sobre a arroba do boi gordo, mas nada muito expressivo e dentro do movimento normal dos fundamentos de mercado.

Em torno dos fundamentos, eles apontam para os embarques ao exterior que garantem os valores e os mesmos têm sido a maior motivação para as propostas melhores que tivemos há cerca de 15 dias. O mercado doméstico é morno sempre no mês de janeiro, em 2022 ele é praticamente frio. No radar, poucos cenários se desenham e apontam para uma mudança de comportamento de consumo brasileiro, a demanda é retraída por falta de capacidade de compra e o brasileiro mostra que gostaria de elevar suas compras de carnes.

Entretanto, vamos sair da questão econômica básica da relação do poder de compra da população e ficamos no fator e peso de escalas bem mais cheias do setor industrial da carne bovina. Os primeiros efeitos “foram” e “são” de contingenciamento e posterior queda nos preços pagos pela arroba do boi gordo. Contudo, os pecuaristas têm negociado melhor seu produto e, por vezes, saindo da ponta de venda.

Há um tipo de ciclo nos negócios? Sim parece que sim!

A agressividade do comprador está muito ligada à sua necessidade. Portanto, escalas curtas demandam atuação mais intensa e disposição para pagar mais caro pela arroba. Por outro lado, escalas cheias abrem maior possibilidade de negociação para o comprador, a pressa dele é menor.

Mas quantos dias há de escala? Perguntou dia desses um pecuarista em meu programa no Canal do Boi. Na sexta-feira, a minha sondagem trouxe a marca de nove a dez dias de escala no Estado de São Paulo. É bastante, é bem “frouxa” a escala e os preços recuam de leve, mas caem. Evidentemente, São Paulo, por ser referência para o boi gordo, traz um peso diferente.

Entretanto, temos também os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, informando escalas de seis até sete dias, com resistência para recuos nos preços. Goiás está com números parecidos com o de São Paulo e, Minas Gerais com pouco mais de uma semana. Alguns operadores informaram algumas dificuldades logísticas em GO e MG. Minas possui o pior cenário com problemas em todas as regiões, o que tem pesado nas negociações.

Com isso, destaco ser bem interessante procurar acompanhar as escalas de abate e, através das informações, estabelecer janelas de negócios mais interessantes para comercializar os animais antes do fim do Ano Novo Chinês, no dia dois de fevereiro, mas que tem uma semana de duração.

Aliás, escrevo sobre as expectativas pós festividades na China já há mais de um mês, isto será determinante para novas altas para arroba do boi gordo, apenas pela demanda sugerindo maior determinação para aquisição. Também, falando da cadeia produtiva como um todo, enxergo uma nova valorização da carne bovina brasileira em dólares. O ano de 2021 já contou com um volume de embarque 7% menor e faturamento em US$ 9% maior, o movimento deve ficar ainda mais intenso neste ano.

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