André Luiz Casagrande

Jornalista especializado em agronegócio


Microminerais promovem benefícios na gestão alimentar dos bovinos

27/05/2022

Microminerais promovem benefícios na gestão alimentar dos bovinos Coluna de hoje fala sobre a importância de micronutrientes na pastagem. (Foto: Agência Brasil)

Com a necessidade do aumento da produtividade no dia a dia das atividades pecuárias, além dos avanços tecnológicos, pesquisas voltadas para o desenvolvimento sustentável dos rebanhos, tanto na questão alimentar quanto na gestão do bem estar animal, têm sido cada vez mais frequentes. 

Nesse viés, atentar para a qualidade dos alimentos que são oferecidos aos rebanhos, em termos de saudabilidade e dos valores nutricionais, é fundamental para garantir que os animais cumpram o ciclo produtivo de forma correta e sustentável.

Mas, segundo o zootecnista e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix,  Lauriston Bertelli Fernandes, com a evolução das pesquisas científicas, ficou evidente a importância dos microminerais, como o zinco, por exemplo. “Eles são importantes porque praticamente 80% das forrageiras brasileiras são deficientes nesses elementos”, explica. 

“A deficiência de zinco, por exemplo, pode causar transtornos metabólicos, queda na imunidade, baixo nível de reprodução, má formação óssea e problemas imunológicos, ou seja, que dá resistência e baixas respostas às vacinações”, esclarece o zootecnista.

Em média, segundo o especialista, a concentração de zinco está entre 18 mg/kg e 28 mg/kg de matéria seca das forragens, sendo que as exigências estão entre 35 mg/kg e 60 mg/kg, conforme a categoria animal e o estágio de produção. “Percebe-se então que as pastagens oferecem em torno de 50% do necessário para uma plena saúde e produção do rebanho”, avalia.

De acordo com o especialista, no sistema de produção, a deficiência do zinco compromete o crescimento e o ganho de peso, compromete a saúde, aumenta a mortalidade de animais jovens, reduz a resposta vacinal, contribui para a morte embrionária, reduzindo a taxa de parição, favorece a retenção de placenta, aumenta os problemas de cascos, prejudica a qualidade do sêmen e pode alterar a expressão genética, afetando o melhoramento zootécnico do rebanho.

“O zinco também estimula a resposta imune, reduz as infecções clínicas e subclínicas, no caso de rebanhos leiteiros, e tem reflexo positivo na redução de células somáticas no leite. Sendo assim e considerando todos esses benefícios, é evidente a importância desse mineral em concentrações adequadas nos suplementos destinados aos rebanhos”, observa o especialista.

Ele alerta, porém, que é importante verificar se a concentração de zinco e o seu consumo atendem às exigências complementares. “É aconselhável também verificar as fontes do mineral contidas em sua composição básica, já que a fonte via sulfato de zinco é duas vezes mais absorvível que o óxido de zinco”, explica.

Para gerenciar a administração correta desses suplementos, o especialista afirma que as fazendas modernas devem ter sistemas de controle, como processos ligados a programas de gestão e administração, de forma construir um link na operação de distribuição de suplementos, treinamentos e capacitação de funcionários. “Ou seja, deve-se usar todos os recursos que a tecnologia da informação disponibiliza para as atividades pecuárias nos tempos atuais”, comenta.

Para finalizar, Fernandes lembra que, muitas vezes, os pecuaristas e técnicos têm dúvidas sobre a importância e o porquê de fazer a suplementação dos microminerais para bovinos. “Por muitos anos, o fósforo foi classificado como o macromineral mais limitante na nutrição desses animais. Porém, também é preciso ter atenção ao zinco, cobre, cobalto, iodo e selênio, que são básicos e deficientes em todas as forrageiras tropicais”, orienta.

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