Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


Mercado consumidor do Brasil é um dos mais importantes do mundo

28/12/2021

Mercado consumidor do Brasil é um dos mais importantes do mundo O jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial, Fabiano Reis ala sobre nosso mercado consumidor e como o pecuarista lidou com as crises em 2021 (Foto: Agência Brasil)

Última semana de 2021, ano de grande movimentação para a pecuária brasileira, alguns aprendizados importantes e resultados importantes para a cadeia produtiva da carne bovina como um todo. Entre os fatores que destaco neste texto está a grande capacidade do pecuarista em lidar com as pressões de mercado, com uma gestão muito melhor de seus sistemas de produção e também de comercialização; os excelentes resultados da indústria frigorífica exportadora; as dificuldades para aquisição de animais dos frigoríficos que não exportam e, também, a força dos mercados consumidores, interno e externo.

Antes de começar a comentar os fatores citados no primeiro parágrafo, preciso levá-lo a pensar sobre uma frase publicado aqui em nossa coluna, no último dia 16 de dezembro, uma quinta-feira. Normalmente, a publicação são nas terças-feiras, mas estava de férias e meu computador estragou. Enfim, destaco a última frase escrita naquele artigo:

“A percepção é de ter alguma janela melhor de oportunidade para venda de boi gordo na próxima semana. Fique de olho”.

Eu estava me referindo a alguns pontos referentes a aquisição de matéria-prima para abate. O primeiro, da evidência da indústria ter comprado muito e estar com escalas bem montadas; outro, relacionado aos pecuaristas e as associações que os representam, informando números, em alguns estados importantes, que não seriam suficiente para fornecimento entre Natal e Ano Novo; por último, uma dificuldade maior de conseguir informações de frigoríficos no período. Havia concluído que na semana de Natal haveria “rally”, com ofertas melhores para aquisição dos bovinos. De fato, tivemos a corrida no dia 20 de dezembro, uma segunda-feira, dia normalmente de poucos negócios, mas que foi marcado por uma disparada no mercado.

Para falar especificamente da semana atual, estimo realmente um off, com poucos negócios. Os primeiros dias de janeiro devem ser no mesmo ritmo, sem maiores novidades, esperando a acomodação do mercado interno e influências mais claras do retorno da China para a ponta compradora.

Em torno desta questão, ficou claro para todos os impactos da inflação sobre a população brasileira como um todo. O processo encareceu todas as etapas de produção de carne bovina e, somados, ao ciclo pecuário (com menor quantidade de animais para o abate), afastou parte do consumidor brasileiro. Em alguns momentos com volumes de compras reduzidos, outras optando mesmo por outras carnes. Apesar de haver relação lógica com um volume maior de exportação e preços mais altos para arroba embarcada, fator que eleva todos o cenário interno…a arroba do gado pronto estaria alta de qualquer maneira.

Este é o último artigo a ser publicado em 2021, o próximo só no próximo dia 4 de janeiro. Então, são importantes algumas considerações sobre os traços descritos acima. Em relação aos custos de produção, causados por uma inflação elevada e disputa dentro da cadeia produtiva da carne bovina, espero um arrefecimento. Em torno da arroba, os preços devem se estabilizar com alterações seguindo a sazonalidade natural.

A questão fica em relação ao fundamento de oferta e demanda. Temos visto nestes “quase” três últimos anos uma arroba valorizada por uma oferta de boi escassa e uma demanda internacional com muito apetite (China). Contudo, o consumo interno, a capacidade ou poder de compra dos brasileiros é fundamental. E é neste ponto que as observações não são as melhores.

Quanto ao aspecto econômico geral, a inflação que é divulgada é uma média geral. Entretanto, é necessário que o produtor rural, empresários e industriais observem que os preços mais altos atingem as classes sociais de forma e força distintas. Basicamente, quanto menor a renda, maior a inflação. Sempre foi assim. O fato novo é uma dificuldade maior de gerar trabalho e renda no país. Apesar de parecerem serem questões distantes da pecuária brasileira, são importantes para o restabelecimento do consumo interno.

O consumo interno de carne bovina no Brasil vinha se mantendo acima de 40 quilos per capita/ano. Os dados mais recentes apontam para uma queda para 23 quilos per capita ao ano. Creio que as próximas pesquisas vão trazer números mais próximo da sentença (20 quilos), com risco de consumo até menor.

Enfim, o mercado brasileiro consumidor de carne bovina é um dos mais importantes do mundo. Poucas vezes se fala disso, mas é.

Para encerrar desejo a todos um ano de 2022 fantástico, com ótimos negócios e resultados. Abraços fraternos!

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