João Menezes

Engenheiro Agrônomo, assistente agropecuário e facilitador do GTEPS (Grupo de Troca de Experiências em Pecuária Sustentável).


Mais arrobas, menos lagartas

26/01/2022

Mais arrobas, menos lagartas (Foto: Agência Brasil)

As lagartas são consideradas pragas ocasionais em pastagens. Se eventualmente atingem níveis populacionais elevados, são capazes de reduzir a disponibilidade de pasto para os animais. Quando o manejo permite o pastejo das áreas atacadas, esse deve ser feito. O ideal é consultar um técnico e fazer a pulverização o mais rápido possível, com pelo menos dois princípios ativos, um fisiológico e um inseticida de contato e/ou ingestão. Existem também produtos biológicos como o Bacillus thuringiensis.

Depois de um 2021 com uma seca prolongada e ocorrência de geadas esperávamos um verão com uma melhor oferta de forragem e em algumas regiões está chovendo bem, mas no centro sul a escassez de chuva tem prejudicado a recuperação das passagens e além da oferta estar baixa, tem aumentado a presença de invasoras e ainda surgiu a incômoda presença de lagartas (Figura 1).

Essa praga consome uma grande quantidade de pastagem diariamente, principalmente de folhas novas e como uma lagarta consome 140 cm2 de folhas ou 2,7 g de forragem durante a sua vida, o problema é grande quando o multiplicamos essa quantidade pelo total de lagartas que existe na pastagem, consumindo toda o capim que seria destinado aos bovinos. É muito importante que o produtor faça uma vistoria periódica da pastagem para controle dessas pragas no início. Quando o monitoramento é bem feito, o controle é realizado quando as lagartas ainda são pequenas, fica mais eficiente e o prejuízo não afetará a pastagem, pois nessa fase, elas consomem somente 15% do total de sua vida, sendo o maior prejuízo na fase final antes e empupar.

Quando se detecta o ataque inicialmente, pode-se conseguir com o próprio manejo, colocar o gado para consumir a forragem antes das lagartas e isso implica em economia operacional e de produtos. Quanto isso não é possível, tem que procurar orientação técnica e fazer aplicação de inseticidas. Normalmente o ideal é fazer uma combinação de inseticidas de contato e/ou ingestão, que diminuem a população existente e com fisiológicos que controlam a lagarta durante sua mudança de fase, protegendo a planta por mais tempo. Os horários de aplicação são nos momentos mais frescos do dia.

Há produtos biológicos à base de Bacillus thuringiensis que podem ser aplicados. Trata-se de um inseticida microbiano seletivo para lagartas, não sendo, portanto, necessária a retirada dos animais das áreas tratadas. Outra importante vantagem de sua aplicação consiste no fato de que não elimina os inimigos naturais presentes na pastagem. Estes produtos são mais eficazes contra a curuquerê dos capinzais.

A ocorrência de lagartas traz prejuízos às pastagens e precisa ser controlada o quanto antes, quando estas ainda são pequenas. Onde possível, colocar o gado para consumir a pastagem antes da forrageira e se não for possível fazer o controle químico ou biológico (https://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD26.html).

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