João Menezes

Engenheiro Agrônomo, assistente agropecuário e facilitador do GTEPS (Grupo de Troca de Experiências em Pecuária Sustentável).


Mais arrobas melhorando a oferta de forragem

23/03/2022

Mais arrobas melhorando a oferta de forragem

Um conceito importante sobre manejo de pastagens é a oferta de forragem. A oferta de forragem é uma medida que auxilia na adequação do alimento que estará disponível para consumo, bem como a taxa de lotação a ser adotada. Ela é a relação entre a quantidade de forragem disponível e o número de quilos de peso vivo existente na área e permite ajuste do uso de cada pastagem da propriedade melhorando seu uso por cada categoria animal.

A oferta de forragem é uma relação entre a quantidade de forragem existente na pastagem, geralmente em matéria seca (kg MS/ha) e a quantidade de animais que tem naquela área (kg de PV/ha) dada em kg de MS por 100 kg de peso vivo. Quando a relação é elevada, mais kg de forragem por kg de animais, melhor será o desempenho animal (kg/dia ou L/dia). Se a oferta é pequena, menos forragem por kg de animal, piora o desempenho individual (Figura 1).

Para uma categoria animal mais exigente, por exemplo fêmeas primíparas, vacas em lactação ou recria de alto desempenho, se pode aumentar a oferta de forragem, pois quando esta é maior, proporciona melhor oportunidade de seleção pelos animais e consequentemente estes ingerirão mais folhas e forragem de maior qualidade e o desempenho será melhor.

Para categorias menos exigentes, como por exemplo recria de desempenho baixo ou vacas solteiras, se pode trabalhar como oferta menor, aumentando a taxa de lotação por área e com isso conseguimos um melhor aproveitamento da pastagem e aumento do número de animais da propriedade.

A oferta de forragem ideal seria em torno de 6%, ou seja, 6 kg de forragem para cada 100 kg de peso vivo animal e proporciona na maioria das vezes, um melhor ganho em quilos de carne ou leite por área, porém sempre é bom equalizar a oferta mais adequada à categoria animal que estamos trabalhando, bem como a taxa de lotação que se é esperada para atender e alimentar todos os animais da propriedade.

Para se conseguir medir a oferta é necessário avaliar a quantidade de forragem que que tem disponível na área, bem como pesar os animais para saber quantos quilos de peso vivo temos em cada pasto.

No pastejo rotacionado, para adequar a oferta se ajusta a altura de saída dos animais do piquete. Quando se quer uma oferta maior, se aumenta a altura de saída, por exemplo, um pasto que a altura de saída é 20 cm, se aumentamos para 25 cm o resíduo, se terá uma maior oferta de forragem para os animais e consequentemente melhor desempenho, ganho de peso ou produção de leite. Se por outro lado se quer diminuir a oferta, diminuímos altura de saída, no exemplo que estamos trabalhando, com resíduo de 20 cm, diminuímos para 15 centímetros e com isso podemos aumentar o número de animais por área, mas o desempenho será inferior. Em áreas de pastejo com lotação contínua também se regula a oferta pela altura da pastagem colocando mais ou menos animais na área.

A oferta de forragem é um bom parâmetro para avaliarmos o uso e adequação do manejo das pastagens.

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