João Menezes

Engenheiro Agrônomo, assistente agropecuário e facilitador do GTEPS (Grupo de Troca de Experiências em Pecuária Sustentável).


Mais arrobas manejando a pastagem na seca

06/07/2022

Mais arrobas manejando a pastagem na seca (Foto: Agência Brasil)

Quem fez, fez, quem não fez, não faz mais. Com a chegada da seca, o acúmulo de forragem nas pastagens diminui e temos um período de estacionalidade da produção de capim onde os pastos diminuem a qualidade e a capacidade de suporte. É hora de manejar as pastagens diferidas, reservadas para essa época do ano e fornecer suplementos volumosos (silagem, feno, cana e outras capineiras) e concentrados. Importante ajustar a oferta de alimento e a taxa de lotação para que os pastos não sejam rapados e degradem necessitando reforma.

Chegou o período de inverno e, com ele, a seca. Quem não se programou durante o verão e não se preparou para esse período não tem muito o que fazer agora a não ser administrar a escassez de alimento. Será mais caro e prejudicial aos animais e pastagens. O que vai acontecer na seca do próximo ano deve ser decidido até setembro/outubro deste ano, pois é nas chuvas que se produz alimento, inclusive para a seca.

As pastagens, agora, diminuem a produção. A pastagem reservada perde qualidade e o produtor deveria ter se prevenido durante o verão. Uma estratégia para não sofrer com essa temporada é investir no pastejo diferido, onde o produtor veda pastagens, isolando as áreas ou trabalhando com menores taxas de lotação para sobrar forragem para a seca. Uma boa maneira de fazer isso é de forma escalonada, vedando uma área em fevereiro, outra em março, mais uma em abril e também usa essas áreas de forma escalonada. A qualidade da forragem cai, mas se tem forragem para os animais na seca.

Outra estratégia é o uso de forragem conservada como silagem e feno ou capineiras – como cana e napier – capiaçu, tem sido muito plantado. Essas forragens deveriam ser produzidas durante as chuvas e estarem prontas para o uso nesse período.

Há ainda a alternativa do uso de concentrados, misturas múltiplas (proteinado) e rações, porém nesse caso o produtor tem que se atentar mais aos custos. O uso do concentrado como suplemento normalmente eleva a rentabilidade, porém quando é usado como substituto da pastagem que está em falta, pode trazer prejuízos ao pecuarista.

Importante lembrar que o manejo da pastagem nessa época do ano não é determinante para seu aproveitamento e produção. O manejo deve ser feito para preservar as pastagens da degradação. Como o acúmulo de forragem é pequeno ou nulo porque as condições climáticas não são favoráveis e o erro de manejo comum é o consumo de pastagem abaixo da altura recomendada, sem respeitar o período de descanso e iniciando um processo de degradação dos pastos.

O superpastejo é a principal causa da degradação de pastagens, favorecendo o aparecimento de plantas invasoras e debilitando a planta forrageira (Figura 1). Os cuidados com as pastagens na seca devem se ater a um bom manejo, mas principalmente a preservar as forrageiras para o verão seguinte, respeitando a altura de manejo de cada forrageira.

Figura 1 – Processo de degradação de pastagens, Fonte: Rally da Pecuária (2018).

O ajuste da oferta de alimentos é fundamental para isso. O produtor tem que ajustar a demanda dos animais à quantidade de forragem nas pastagens. A taxa de lotação tem que ser diminuída, retirando os animais da propriedade e uma alternativa é o confinamento próprio ou boitel. Quando se tem alimento conservado ou capineiras, o ajuste é feito ofertando volumoso de qualidade aos animais.

As pastagens produzem menos na seca, mas precisam ser manejadas e preservadas para não entrarem em degradação e terem uma rebrota vigorosa no verão seguinte.

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