João Menezes

Engenheiro Agrônomo, assistente agropecuário e facilitador do GTEPS (Grupo de Troca de Experiências em Pecuária Sustentável).


Mais arrobas conservando a forragem no momento certo

06/04/2022

Mais arrobas conservando a forragem no momento certo

A conservação de forragens na forma de ensilagem é uma alternativa para reformarmos áreas de pastagens e produzir alimento de qualidade para fornecer durante a seca. Um procedimento importante é o corte no momento adequado da planta, no ponto de máxima produtividade de nutrientes e a picagem adequada da planta, no tamanho adequado (0,5-2,0 cm) para favorecer a compactação e o posterior mistura no cocho de forma que o animal não selecione o concentrado.

Uma boa estratégia de reforma de pastagens é a utilização de áreas que serão reformadas para produção de alimento conservado para a época da seca. Plantas que se prestam à ensilagem como milho e sorgo podem ser semeadas com o capim e utilizadas como reserva para a seca e pagar parte dos custos de implantação das pastagens.

Toda planta tem um momento adequado de corte para ensilagem, quando o teor de matéria seca, dependendo da planta, está entre 26 e 38%. Esse teor de matéria seca é aquele em que a planta não tem tanta umidade que poderiam favorecer o aparecimento de bactérias clostrídicas que aumentam as perdas de nutrientes durante a fermentação e nem seca a ponto de não se conseguir uma boa compactação, com a eliminação de ar e ter perdas por desenvolvimento de fungos.

O ponto de corte é determinante para a produtividade e qualidade da silagem. A ensilagem não melhora, na maioria dos casos, o valor nutritivo da forragem, porém pode piorá-lo quando é malfeita. Portanto devemos cortar no ponto ótimo de cada cultura, onde aliamos máxima produtividade e elevado valor nutritivo. Para o milho esse ponto é quando tem 30-35% de matéria seca no ponto de grão farináceo a farináceo duro (50% da linha de leite) e para o sorgo no farináceo. Para o capim, este deve ser cortado entre 60-80 após o corte com teor de matéria seca superior a 25%.

O corte e a ensilagem deve ser o mais rápido possível, pois o contato com o ar, de forma prolongada, concorre para perdas no processo. O planejamento do tamanho do silo deve ser determinante para que o silo esteja pronto e fechado no menor espaço de tempo possível, de preferência fechamento diário.

Importante é que a forragem seja picada e não macerada ou triturada em pequenas partículas. As máquinas devem estar reguladas e afiadas para cortarem a forragem no tamanho adequado, 0,5-2,0 cm. Este tamanho favorece a compactação e aumenta a área de contato da forram melhorando a fermentação. O tamanho correto também melhora a mistura da forragem com concentrados e dificulta seleção deste componente pelos animais durante a alimentação.

Após a abertura do silo, este deve ser usado rapidamente não permitindo a entrada de ar no silo. Um corte diário de uma fatia completa do silo superior a 1,0 m é interessante para diminuir perdas pós abertura.

A silagem bem-feita tem cor clara e cheiro agradável. Partes pretas, características de excesso de umidade ou com presença de mofo, indicativo de que havia presença de ar no silo devem ser descartadas.

A ensilagem é uma excelente estratégia de produção de alimento para a época da seca, porém deve ser bem conduzida a fim de manter o máximo a qualidade da forragem conservada.

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