João Menezes

Engenheiro Agrônomo, assistente agropecuário e facilitador do GTEPS (Grupo de Troca de Experiências em Pecuária Sustentável).


Mais arrobas com vacas bem alimentadas

17/11/2021

Mais arrobas com vacas bem alimentadas Na Coluna Mais Arrobas o engenheiro agrônomo João Menezes fala sobre como obter melhores resultados antes e depois da prenha (Foto: Agência Brasil)

Para produção eficiente de animais precoces, com bom crescimento e acabamento, além de fêmeas mais férteis, um bom programa nutricional deve se iniciar com uma estratégia de alimentação das vacas, em especial no terço final de gestação.

A boa alimentação da vaca e a melhora de seu escore corporal pré-estação de monta facilita a prenhez e a melhora da taxa de natalidade, mas a produção de animais mais eficientes e produtivos se inicia com a boa alimentação da vaca, principalmente no terço final de gestação. Trabalhos têm demonstrado que a suplementação de vacas em gestação, em especial a suplementação proteica no terço final da gestação, tem impacto positivo sobre o peso corporal e escore de condição corporal da vaca no pós-parto, como também no peso corporal da cria ao nascimento e à desmama e sobre a taxa de puberdade e prenhez de novilhas filhas de vacas suplementadas (Moreira et al, 2019 – Tabela 1).

A nutrição nessa fase também pode influenciar o crescimento e desenvolvimento muscular no período fetal e o peso ao nascimento. Uma restrição de energia no início até meados da gestação acarretou uma diminuição de fibras secundárias no músculo fetal, quando comparado ao número de fibras primárias (Zhu et al., 2006), enquanto bezerros filhos de vacas que receberam suplementação proteica no terço final da gestação quando comparado a bezerros filhos de vacas que não foram suplementadas tiveram aumento do peso ao nascimento e à desmama, como também, maior rendimento de carcaça (Larson et al., 2009).

Em animais de produção, o termo programação fetal compreende os processos ou mecanismos de adaptação, em que a nutrição materna e o ambiente uterino influenciam o desenvolvimento do feto, podendo ocasionar mudanças metabólicas, que vão permanecer durante toda a sua vida. As adaptações fisiológicas do feto no ambiente uterino sub ótimo são de importância para a sua saúde e sobrevivência após o nascimento (Barker et al., 1993).

Quando falta alimento nessa fase, terço final de gestação, podemos estar diminuindo o potencial produtivo dos animais já ao nascimento, portanto a estratégia de suplementação no terço final de gestação proporciona animais mais eficientes. Trabalho de simulação da Embrapa (Documentos 156) mostrou que melhorar a condição corporal antes do parto – é mais vantajosa, pois, além de requerimentos nutricionais menores, há o efeito anabólico promovido pela progesterona, hormônio responsável pela manutenção da gestação. Desta forma, consegue-se um maior ganho de peso com menor quantidade de suplemento, com as fêmeas parindo em bom estado nutricional, o que é fundamental para se obterem bons índices reprodutivos, principalmente quando suplementamos primíparas.

Uma estratégia recomendada, de fácil utilização, é avaliar a condição corporal das vacas na época do desmame, a qual geralmente coincide com o diagnóstico de gestação. As vacas prenhes magras são então apartadas e passam a receber um tratamento diferenciado, seja suplementação com proteinado ou ração, ou mesmo o acesso a um pasto de melhor qualidade.

A produção eficiente de bovinos envolve uma boa nutrição dos animais e a alimentação da vaca, em especial àquela que está no terço final de gestação, permite além da produção de mais animais, também a produção de animais melhores.

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