João Menezes

Engenheiro Agrônomo, assistente agropecuário e facilitador do GTEPS (Grupo de Troca de Experiências em Pecuária Sustentável).


Mais arrobas com sorgo

27/07/2022

Mais arrobas com sorgo (Foto: Arquivo pessoal)

O sorgo tem origem em países africanos e é muito plantado em regiões semiáridas do mundo, por apresentar melhor tolerância ao estresse hídrico que o milho. Ele se presta para alimentação animal tanto na forma de pastejo, como forragem para ensilagem, bem como grãos para alimentação concentrada.

O sistema radicular eficiente do sorgo é tido como o principal responsável pela sua tolerância à seca. Comparando-se as raízes primárias de milho e de sorgo, ambas culturas apresentam basicamente a mesma quantidade de massa radicular; porém as raízes secundárias do sorgo são, no mínimo, o dobro daquelas encontradas no milho. Além do mais, o sistema radicular do sorgo é mais extenso, fibroso e possui maior número de pelos absorventes (Embrapa, 2015).

Para a utilização do sorgo em pastejo ou em manejo de corte, recomenda-se o plantio de variedades forrageiras adaptadas a essa finalidade, bem como seus híbridos com o capim-sudão (S. sudanense). O sorgo de pastejo é o resultado do cruzamento entre o S. sudanense com Sorghum bicolor. É uma planta de rápido crescimento vegetativo e estabelecimento, resistente à seca e que apresenta grande rusticidade e pouca exigência quanto à qualidade de solo, além da facilidade de manejo para corte ou pastejo direto, bom valor nutritivo e alta produção de forragem.

Como o sorgo é uma planta de porte médio (de 1,8 m a 2,5 m) que possui boa produção de matéria seca e boa relação grãos-planta, também pode ser usada para ensilagem. A vantagem do sorgo de médio porte, quando colhido planta e grãos no estádio leitoso/pastoso, constitui boa parte da biomassa total da planta, promove um maior enriquecimento da forragem a ser utilizada e proporciona melhor valor nutricional à forragem. Dependendo da época, ainda temos um corte da rebrota. O valor nutritivo da silagem de sorgo é próximo ao encontrado no milho, porém com produtividade ligeiramente superior (Tabela 1).

Tabela 1 – Produtividade e valor nutritivo de volumosos (Nussio et al, 2014)

A planta de sorgo granífero é de porte baixo a médio (entre 1,20 m e 1,50 m). Os grãos ficam na panícula ou cacho, os quais são colhidos quando estão secos ou duros. Apesar de ter o valor nutritivo inferior ao do milho, responde bem a processamento e é uma boa fonte de energia para animais. Normalmente tem preço competitivo e é uma boa opção para rações.

O tanino está presente no grão de sorgo e apresenta vantagens agronômicas, como a resistência a pássaros e doenças do grão, mas ele pode causar problemas na digestão dos animais, pelo fato de formarem complexos com proteínas e, assim, diminuírem a sua palatabilidade e digestibilidade.

O sorgo é uma cultura de boa produtividade e adaptação, versátil, com diversos usos, boa tolerância a estresse hídrico e boa adaptação para uso como pastejo, silagem e grãos.

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