João Menezes

Engenheiro Agrônomo, assistente agropecuário e facilitador do GTEPS (Grupo de Troca de Experiências em Pecuária Sustentável).


Mais arrobas com o uso de adsorventes em rações

11/05/2022

Mais arrobas com o uso de adsorventes em rações

O uso de adsorventes em rações têm sido cada vez mais comum. Os alimentos usados em rações de bovinos, principalmente silagens, farelos e grãos podem ser contaminados por fungos que produzem micotoxinas que diminuem a produtividade e em alguns casos, podem causar a mortalidade de animais. Os adsorventes se ligam aos contaminantes e estes são retidos em material poroso, em um processo conhecido como adsorção. A adição de materiais adsorventes à ração é uma prática para a prevenção de micotoxicoses em ruminantes.

As micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por uma variedade de fungos, especialmente por espécies dos gêneros Aspergillus, Fusarium e Penicillium. atualmente, que cerca de 25% de todos os produtos agrícolas produzidos no mundo estão contaminados com alguma micotoxina. Estudos conduzidos no Brasil têm comprovado que muitos alimentos, rações e ingredientes apresentam níveis de contaminação por micotoxinas muitas vezes superior ao permitido pela legislação brasileira, bem como pela internacional.

Essas substâncias tóxicas são produzidas por fungos que podem estar presentes em todos os processos de produção, desde o pasto ou lavoura até o armazenamento e processamento dos grãos. Possuem propriedades que afetam diretamente o desempenho dos animais (Figura 1), podendo interferir desde o consumo de matéria seca e até causar graves lesões em diversos órgãos do organismo, levando ao óbito. Para combater os prejuízos causados pelas micotoxinas, há diversos aditivos capazes de neutralizar sua ação por mecanismos de adsorção.

Os ruminantes são menos suscetíveis à contaminação por microrganismos e suas toxinas, pois as bactérias do rúmen podem degradar esses compostos. Isso em parte é verdade, porém a eficiência da degradação dessas substâncias depende de vários fatores como: pH ruminal, categoria animal, grau de contaminação dos alimentos, tipo de micotoxinas, quantidade ingerida e interação entre os diversos tipos, período de exposição a dieta contaminada entre outros.

Locais de armazenagem úmidos, instalações inadequadas, silos mal compactados ou com furos e rasgos nas lonas, falta de manutenção e limpeza dos equipamentos utilizados no processamento da dieta, tornam o ambiente propicio para o desenvolvimento de fungos. Outros estudos mostram que a presença desses microrganismos nas lavouras faz com que os grãos cheguem aos depósitos já contaminados. É por isso que é recomendado a utilização preventiva do adsorvente de micotoxinas nas dietas, pois a probabilidade de o alimento estar contaminado é muito alta.

Esse aditivo funciona como uma esponja que atrai e adere em sua estrutura as toxinas presentes no alimento, evitando que sejam absorvidas e causem danos ao animal. Existem no mercado diversos tipos de produtos e podem ser subdivididos em duas categorias principais considerando seus métodos: aqueles com base formada de silicatos e argilas, que atuam por diferença de cargas elétricas, e os compostos por parede celular de leveduras e algas que possuem poder de seleção e adsorção. Em ambas as situações, uma vez aderidas, as micotoxinas são neutralizadas e tornam-se indisponíveis para a absorção pelo animal.

A inclusão do adsorvente na ração de bovinos funciona como um seguro, pois muitos sinais da presença dessas substâncias são invisíveis aos olhos, mas causam muitos prejuízos no sistema de produção.

O uso de adsorventes em dietas pode prevenir intoxicações por micotoxinas evitando perdas de produtividade e mortalidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.