João Menezes

Engenheiro Agrônomo, assistente agropecuário e facilitador do GTEPS (Grupo de Troca de Experiências em Pecuária Sustentável).


Mais arrobas com milho úmido ou reidratado

03/08/2022

Mais arrobas com milho úmido ou reidratado

O milho tem sido o principal componente utilizado em dietas de confinamento de corte e leite. Alimento nobre e boa fonte de energia, porém a condição de priorização agronômica por grãos duros diminui a degradação ruminal e aumenta o amido fecal resultando em perdas e menor eficiência. O processamento melhora o aproveitamento e no Brasil o processamento que tem sido melhor une operacionalidade e custo acessível é a silagem de milho úmido ou reidratado.

A opção por dietas mais energéticas tem aumentado muito a porcentagem de grãos na dieta, 33,3% dos nutricionistas usam mais de 66% de grãos na matéria seca de dietas de terminação em confinamento de bovinos de corte (Pinto e Millen,2018).

O milho é o principal grão utilizado por sua elevada oferta e valor nutricional elevado. No Brasil se prioriza por questões agronômicas, maior resistência a pragas, o milho duro ou “flint corn”, com endosperma muito mais vítreo do que o milho dentado (média de 73% de vitreosidade para o flint contra 48% para o dentado). A vitreosidade está inversamente correlacionada com a digestibilidade do amido. Esse tipo de milho tem um endosperma que protege o amido diminuindo sua degradação ruminal.

O grão de milho apresenta uma matriz proteica ao redor do grânulo de amido que dificulta o acesso dos microrganismos e enzimas digestivas necessário para que digestão ocorra. O processamento melhora o aproveitamento desse amido facilitando o acesso de bactéria e enzimas ao amido.

A moagem é a forma de processamento mais utilizada no Brasil e é feita normalmente com moinho de martelo. A moagem pode ser fina (tamanho médio de partículas menor 1.2 mm) ou grosseira (tamanho médio de partículas entre 2 e 4 mm) e resulta no aumento da superfície de contato do amido às enzimas digestivas (das bactérias no rúmen e do animal no intestino) e rompimento parcial da matriz proteica. O que proporciona melhor aproveitamento é a floculação, porém devido aos custos elevados dos equipamentos, é pouco utilizado no Brasil.

Um processamento que tem aumentado a utilização é a ensilagem do milho úmido ou reidratado. Na fermentação ocorrida na ensilagem há uma potencialização da digestão de amido, pois o processo de ensilagem em si, que segue os mesmos princípios de fermentação anaeróbica das silagens de volumosos, as enzimas proteolíticas dos microrganismos presentes no material ensilado provocam solubilização da matriz proteica, reduzindo a barreira para digestão do amido no rúmen e intestino do animal, melhorando por consequência a digestão animal, a eficiência alimentar e o desempenho do animal (Tabela 1).

O processamento do milho é muito importante para o melhor aproveitamento do amido do grão e entre os métodos a serem utilizados um dos que apresenta melhor relação benefício: custo é a ensilagem de milho úmido ou reidratado.

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