João Menezes

Engenheiro Agrônomo, assistente agropecuário e facilitador do GTEPS (Grupo de Troca de Experiências em Pecuária Sustentável).


Mais arrobas com suplementação após a desmama

08/12/2021

Mais arrobas com suplementação após a desmama Na Coluna Mais Arrobas o engenheiro agrônomo João Menezes fala sobre como obter melhores resultados antes e depois da prenha (Foto: Agência Brasil)

A desmama é feita normalmente a partir de maio, período que inicia a escassez de chuvas, diminuição da temperatura e luminosidade e consequentemente menor oferta de forragens. Para continuarmos com crescimento contínuo dos bezerros, faz-se necessário a suplementação deles com uma mistura múltipla (proteinado) ou ração pós desmama. Essas estratégias de suplementação evitarão que os animais percam peso na seca ou melhor, ganhem peso.

Em propriedades que fazem estação de monta e mesmo as que não fazem, há uma concentração do desmama dos animais no final do período das chuvas, maio a julho, quando as pastagens diminuem a oferta e sua qualidade. Os ganhos de peso reduzem bastante e podem até ser negativos. Uma decisão importante a ser tomada é a suplementação desses animais com uma mistura múltipla (proteinado) ou ração.

McCOLLUM III e HORN (l989) citados por Zanetti et al., 2000 afirmaram que os suplementos proteicos geralmente aumentam o desempenho animal em pastagens, devido a vários fatores, sendo o aumento na ingestão de forragem o principal. No caso de pastagem com menos de 7% de proteína, o nitrogênio suplementar fornecido aos microrganismos aumenta a síntese proteica e a taxa de digestão; também é importante a proteína que passa pelo rúmen, sem ser degradada.

Quando o objetivo da suplementação é ganho de peso superior 250 gramas dia, há necessidade de se incluir energia e proteína no sal mineral. Nesse caso, a mistura tem sido, comumente, denominada de “Mistura Mineral Múltipla”. Essa mistura deve complementar os macros e os microelementos das forrageiras e suplementar proteína e energia. Geralmente, são constituídas de cloreto de sódio (controlador da ingestão), mistura mineral, ureia, uma fonte de proteína verdadeira e uma fonte de carboidrato solúvel. Recomenda-se essa suplementação, durante todo o período seco, e o consumo diário deve ser de 1 a 2 g/ kg peso vivo (Euclides, 2001).

O aumento da quantia de misturas múltiplas fornecidas aos animais melhora o desempenho animal, porém o maior fornecimento de concentrado não garante sua maior eficiência. Porto et al., 2011 trabalharam com vários níveis de fornecimento de misturas múltiplas (0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 kg/cab.dia) e quantias mais moderadas (0,5 kg) de suplementos estimularam o consumo de pasto, quando foram fornecidos a tourinhos em fase de recria, durante o período da seca, porém a máxima produção microbiana foi obtida com oferta de 1,34 kg de suplemento. Segundo estes autores, as melhores respostas de desempenho e características nutricionais podem ser obtidas com o fornecimento diário de suplemento em níveis de 0,5 a 1,34 kg/animal (Figura 1), 2 a 5 g/ kg de PV.

Propriedades que buscam desempenho elevado após a desmama dos bezerros (as) têm que suplementá-los na primeira seca. O consumo é baixo, o ganho melhora e o animal chegará mais cedo à engorda.

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