Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


Escalas maiores, dólar mais baixo e pressão na arroba do boi gordo

05/04/2022

Escalas maiores, dólar mais baixo e pressão na arroba do boi gordo Arroba do boi começa a semana com preços estáveis em São Paulo (Foto: Divulgação)

Como era esperado, ou desenhava-se, abril começou com queda para o preço da arroba do gado pronto no Brasil. As escalas das indústrias começaram a se alongar de uma maneira mais evidente desde a segunda quinzena de março, as pastagens ficaram bem mais expressivas (o que reduz os custos dos pecuaristas), além do dólar bem mais baixo, fechou em R$ 4,66 (1/4) com viés de queda nesta semana. A moeda também ajuda a pressionar os preços em Reais.

Então, podemos dizer que há uma equação pressionando a arroba no Brasil. O consumo doméstico segue cambaleando, não consegue ganhar força, e o consumidor brasileiro de fato está afastado. Soma-se ao cenário, uma quantidade bem mais forte de bois terminados a pasto na maior parte do Brasil. Como escrito antes, o fator é positivo pela redução de custos, mas claro, sazonalmente, traz o impacto de queda sobre os valores praticados.

Dentro de parâmetros tão ajustados, ter completo domínio dos custos da arroba produzida por períodos distintos é fundamental para o melhor entendimento da rentabilidade do negócio. Evidentemente que preços maiores para arroba do boi gordo pago ao pecuarista, maior valor pela tonelada de carne bovina paga ao frigorífico, assim por diante, são relevantes. Por outro lado, é a margem entre custo de produção e preço de comercialização que vai definir um rendimento maior ou menor.

A argumentação acima é para explicar que cada projeto pecuário, cada área de produção, fazenda ou pecuarista, pode ter um entendimento diferente sobre lucrar mais ou não no momento e ainda há o entendimento que o movimento das águas é fator de composição de preços. Claro, de 2019 para cá, temos visto no Brasil uma redução no poder de compra da população, agravado em 2021. O fator não se resolve da noite para o dia, mas o número de empregos sobe mensalmente no país e logo teremos melhora real no poder de compra. Sim. É importante e trará um melhor equilíbrio para toda cadeia produtiva da carne bovina.

O dólar recua e o Real tem forte e muito rápida valorização. A grande questão do dólar, é o sobe e desce e, principalmente quando recua com tanta velocidade, não é bom para nenhum tipo de negócio. Temos recuos nos preços em Reais da tonelada da carne bovina, do milho, café e forte queda para a soja. É necessário ver o setor do agro como um todo e, com milho e soja caindo, pode ser representativo para um custo de produção menor para quem confina ou faz praça de alimentação com os animais.

Outro elemento que destaco é a perda de ímpeto nas exportações de carne bovina brasileira na segunda quinzena de março. Começaram muito forte os 15 dias iniciais (84,21 mil toneladas embarcadas e os últimos 15 dias com 58,31 mil toneladas). O total exportado foi de 169,41 mil toneladas, alta de 26,59% em março de 2022, comparado ao mesmo período do ano anterior. Independente do cenário entre o começo e final de março/22, trata-se de um dos melhores meses de embarque da história.

Quanto ao fator escala de abate, nesta segunda-feira, 4 de abril, atingiu 10 dias de trabalho na média brasileira. São Paulo está com folgados 12 dias, Mato Grosso conta nove dias e Mato Grosso do Sul recuou um dia para oito garantidos de trabalho. Entre outras praças.

Para finalizar e resgatar alguns dos temas abordados, o dólar pode vir a subir em alguns momentos no ano mesmo com a entrada volumosa de capital estrangeiro no país e uma taxa de juros que pode chegar a 14%. O motivo é a corrida eleitoral. O fator importante para negociação da arroba é saber que os grãos vão subir se o dólar se elevar. Também, em poucos meses entramos no inverno, a oferta de boi a pasto recua, os preços sobem, mas só aproveita quem tem condições de engordar animais no inverno.

Para a semana de 4 a 8 de abril, observo que seguramente teremos novos recuos para o dólar (caso não aconteça nada mais extraordinário na política do Brasil e no fator geopolítico Rússia X Ucrânia); a indústria frigorífica deve seguir com estabilidade e possível ampliação das escalas e, dentro deste conjunto descrito, vamos enxergar novas pressões negativas para arroba do gado pronto.

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