Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


Dinâmica de mercado do boi gordo não muda e escalas da indústria seguem em queda

02/03/2022

Dinâmica de mercado do boi gordo não muda e escalas da indústria seguem em queda Mercado: preços permaneceram estáveis em SP. (Foto: Divulgação)

Uma semana com o mercado testando a firmeza nos negócios com o boi gordo (que não cedeu), apesar do registro de poucos negócios. Há uma baixa na oferta de animais prontos para abate em São Paulo e redução evidente nos demais estados produtores brasileiros. O cenário descrito acarretou uma nova queda nas escalas de abate das indústrias por todo o País (como foi previsto nesta coluna). A invasão russa ao território da Ucrânia é algo de forte preocupação por conta da elevação no custo para aquisição de insumos e, até mesmo, vendas do complexo carnes.

Em uma semana muito curta, por conta das festividades de Carnaval, ou a falta dele, a arroba do boi gordo seguiu sendo negociada para atender a demanda de escala para o período pós-carnaval, a partir do dia 7 de março. Talvez, este fator tenha dado algum fôlego para a indústria que não precisou elevar (ainda) os preços pagos pelo gado pronto. A referência no Estado de São Paulo terminou a semana encerrada em 25 de fevereiro em R$ 338 para arroba do boi gordo e R$ 330 para arroba da vaca. Já o boi gordo “Padrão China” ficou em R$ 355/@ no preço à vista para abate logo após a “Quarta-feira de Cinzas”, no dia 3 de março.

A descrição do cenário acima reforça o argumento de um período de poucas movimentações e baixa oferta. O fato de ter poucos animais prontos para a atividade frigorífica faz com que a indústria tenha de buscar com mais ímpeto animais terminados em outros estados, fora de SP. Claro que isso atua de maneira determinante em todo o mercado.

O ágio entre a arroba do boi “Padrão China” e o não exportado para o país asiático segue no mesmo patamar, sem expectativas de mudança para uma semana bem mais curta. Teremos “Carnaval” no Brasil mesmo com Covid e todos os problemas que a pandemia trouxe. Trata-se de um período “cultural”, não há muito o que fazer. Entretanto, caso tivéssemos uma semana integral, as escalas da indústria ficariam ainda menores.

A indústria brasileira segue com fortes dificuldades para esticar suas escalas, principalmente com o animal “Padrão China”. A média nacional de escalas está em sete dias úteis, uma queda de dois dias frente ao período anterior. Os mesmos números são vistos no Estado de São Paulo.

Os cenários descritos em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul têm a mesma característica de redução de dias garantidos para atividade de frigoríficos, com média de cinco dias garantidos de trabalho. Goiás segue com oito dias de escalas médias. A melhor disponibilidade de pastagens tem servido, no meu entendimento, para o pecuarista segurar a boiada com menos custo. Pelo menos em MS…

A invasão da Rússia em território ucraniano trouxe uma forte volatilidade para o mercado de grãos, com impactos muito fortes. Em um primeiro momento, tivemos algumas horas de disparadas de preços, seguidas por quedas na quinta-feira. Já na sexta-feira, o mercado reagiu com forte queda no mercado de commodities agrícolas.

A informação do parágrafo anterior é estratégica. Em um primeiro momento, não há cenários possíveis de impacto na pecuária. Por outro lado, por trazer riscos severos para os custos de produção agrícola (Rússia e região são fundamentais fornecedores de alguns fertilizantes) isso pode reverter em custos maiores para a pecuária brasileira, é necessário estar atento. Apesar de muitos no momento, principalmente quem trabalha com corretoras, aconselharem travar no mercado futuro. Não penso ser o momento. Ou melhor… O equilíbrio em como se comercializa os animais é fundamental. Entretanto, negociar no mercado físico é mais lucrativo e parece compensar o risco.

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