Fred Almeida

Consultor de Sustentabilidade


COP26 pode salvar o Planeta do aquecimento global ou sentenciá-lo à degradação

08/11/2021

COP26 pode salvar o Planeta do aquecimento global ou sentenciá-lo à degradação Resolução define metas compulsórias anuais de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.

Até 12 de novembro, aproximadamente 200 países estão reunidos em Glasgow, capital da Escócia, para discutir as formas de conter o aquecimento global provocado pela ação humana, evitar o aumento da temperatura e impedir uma catástrofe natural sem precedentes. Na verdade, imprevisível. O aquecimento que combatemos hoje começou em meados do século XVIII, por volta de 1760, com o início da Revolução Industrial, que deu o início à queima de combustíveis fósseis para produção de bens duráveis e de consumo em larga escala.

A história do aquecimento global provocado pela atividade humana é um assunto que provocou muito debate nas últimas décadas. Por motivos bastante diferentes, negacionistas do clima não se convenciam que a atividade humana estava interferindo nos ciclos climáticos do Planeta.  Essa visão começou a tomar outros rumos após a divulgação de um relatório encomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) chamado IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) junto a cientistas e meteorologistas de vários países e divulgado no começo deste ano. Antes do relatório, no entanto, publicações científicas vinham trazendo partes do que ele conseguiu juntar em seu inventário.

O relatório é uma bala de prata nos argumentos dos negacionistas de que a atividade humana não interfere no clima: prova, com dados científicos, que desde 1850, quando o homem começou a queima em escala do combustível fóssil, a Terra aumentou a temperatura em 1,1º; as últimas 4 décadas foram as mais quentes da história climática; a Terra nunca foi tão quente assim nos últimos 125 mil anos e que até 2100 a temperatura pode aumentar mais 1,5º.

Foram milhões de registros climáticos de todas as partes do Planeta compilados durante décadas a partir de estações meteorológicas em embarcações, satélites e em terra. A conclusão é que os gases que formam nossa atmosfera absorvem todo o calor que produzimos com a queima de combustíveis fósseis, o aprisiona, impede que seja liberado e aquece o Planeta.

Esses gases retêm o calor e impedem que sejam expelidos da atmosfera para a estratosfera, como numa panela fechada no fogo, aquecendo todo o globo. O pior de todos os gases, por ser abundante, é o Dióxido de Carbono (CO₂), embora haja outros.

Até 1850 o aquecimento da Terra inexistia. As variações foram naturais e perenes por milhares de anos. Um dos textos do estudo mostra que até 1850 havia 300 PPM (partes por milhão) e após 1850 está em 440 PPMs de CO₂ no Meio Ambiente. A acidez nos oceanos aumentou em 40%, seu nível é o maior em séculos, e cresceu 20 centímetros desde 1900.

Por outro lado, é bom lembrar e admitir que a Terra passou por períodos drásticos de superaquecimento. Mas o homem não existia e os ciclos foram provocados por instabilidade gravitacional e atividades vulcânicas.

Os desastres naturais causados pela desestabilização do ciclo climático estão aumentando numa escala preocupante e devastadora, e a COP26 é a última esperança para tomada de decisão definitiva em relação ao problema.

Na verdade, o problema é basicamente um só: zerar a queima de combustíveis fósseis e outras fontes de emissão de gases que aprisionam o calor e superaquecem a Terra. Além dos combustíveis, temos que pôr fim à derrubada e queima da florestas e madeira. A árvores em pé retém o CO₂, evitando que ele atue na atmosfera aprisionando o calor no nosso Meio Ambiente. O corte e a queima liberam o gás aprisionado, com efeitos imediatos. É nesse capítulo que o Brasil está inserido.

Caso a COP não estabeleça uma data de corte, final, para a o uso dos combustíveis fósseis, de forma compromissada e transparente, os primeiros efeitos breves esperados são o desaparecimento de 47 países na Oceania (se a capa de gelo da Groenlândia ou os polos derreterem), o deslocamento de 40% da população mundial que vive à beira mar deslocada ainda no século 21 e o desaparecimento das cidades litorâneas. Os ciclos da agricultura vão se tornar imprevisíveis, o comportamento do clima será uma loteria diária e a economia mundial entrará em colapso causando fome, guerras e destruição. A raça humana corre risco.

Parar e reverter

Porque parar de aquecer o Planeta é tão complicado, quando sabemos que se o aquecimento não for contido, sabemos o que vai acontecer?

Porque toda a cadeia produtiva que dá suporte à economia e à vida estão estruturadas sobre a atual matriz energética, à base da queima de combustíveis fósseis, entre eles os dois vilões mais perigosos: o carvão e o petróleo. Alterar toda essa estrutura milenar não se faz num passe de mágica. O Planeta não pode parar 5 anos para ser consertado como se fosse um carro à beira da estrada.

Chegamos no ponto em que teremos que trocar os pneus com o carro em movimento. 

Num primeiro momento, negar o aquecimento global foi uma forma de manter o status quo.

Mas o que será que aconteceu para essa mudança das nossas lideranças políticas e empresários tão reticentes? O que levou a uma mobilização de 200 países, governantes, empresários e ativistas a saírem correndo, como numa situação de emergência, para evitar uma catástrofe que pode ser irreversível? Ao menos para os humanos?

Governos e lideranças sociais e empresariais começaram a sentir concretamente os efeitos das mudanças climáticas. Elas passaram a ser visíveis a olho nu para qualquer ser humano, acadêmico ou um simples cidadão operário. Causam prejuízos materiais imensos, rouba o teto de milhares de pessoas e mata pobres e ricos. Ninguém está fora desse guarda-chuva. 

Diante da escalada do descontrole do tempo e da temperatura, as lideranças políticas, empresariais, cientificas, acadêmicas e culturais descobriram que não há mais tempo para divagar sobre o assunto.

Diante disso, até o presente momento, os 200 países em comum acordo decidiram eliminar o desmatamento e queimadas até 2030 para evitar a captura do calor pelo dióxido de carbono, iniciar um processo de reflorestamento onde for possível, substituir os combustíveis fosseis por biocombustíveis ou por outras fontes renováveis e que não poluem como energia elétrica de fonte limpa e hidrogênio e, principalmente, eliminar o vilão chamado carvão.

Via de regra, as maiores economias e responsáveis por grandes quantidades de dióxido de carbono na natureza, de uma forma generalizada, decidiram que 2050 é o ano limite para uma transposição para uma economia e um sistema produtivo a partir de energias limpas, grande volume de investimento em fontes solares e eólica, além de buscas alternativas como os biodefensivos agrícolas e a queima de excrementos de bovinos para eliminar o gás metano. 

A COP deve discutir questões transversais, mas relacionadas ao tema, como a pobreza e a fome. Metade dos países precisam de ajuda para a solução. Investimentos em economias limpas aos países pobres para pararem de destruir o Meio Ambiente porquê não têm liquidez para resolver sozinhos, ou são vítimas do aquecimento global e estão imobilizados.

Na verdade, não é uma ajuda nem bondade, empatia. É apenas um investimento para salvar a única casa que todos temos para morar. Mesmo que uns morem nos melhores cômodos e outros, nos fundos. A casa é a mesma. Investir em países pobres, é manter a casa em dia.

Dependemos de nós mesmos.

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