André Luiz Casagrande

Jornalista especializado em agronegócio


Conheça os benefícios do “sequestro” no confinamento estratégico

24/06/2022

Conheça os benefícios do “sequestro” no confinamento estratégico Sequestro no confinamento estratégico pode ampliar produtividade na seca. (Foto: Divulgação)

Sistema pode ser utilizado para aumentar a produtividade da fazenda durante a seca

A crescente demanda por alimentos está transformando a agropecuária brasileira e mundial, o que requer a adoção de novas tecnologias e a intensificação do sistema produtivo para atender as premissas do desenvolvimento sustentável.

Na pecuária, todas as tecnologias se resumem em um bom planejamento nutricional voltado para as várias fases da criação e a época do ano. Nesse sentido, vale lembrar que o desempenho animal não é o mesmo nas diferentes estações. “Portanto, é necessário fazer um planejamento nutricional adequado para os ganhos esperados, utilizando diferentes níveis de suplementação”, afirma a zootecnista e doutora em Ciência Animal, Josilaine Lima.

Segundo a zootecnista, independente da região da propriedade, a forrageira sofre oscilações quantitativas e qualitativas ao longo do ano. Nesse cenário, em relação à pecuária de ciclo curto, é fundamental encurtar a fase de recria, o que é um dos maiores gargalos do ciclo produtivo. “Isso passa, impreterivelmente, pela alimentação dos animais”, argumenta Josilaine.

Por conta dessa necessidade, surgiu a estratégia de retirar o animal do pasto no período crítico do ano para proporcionar à forrageira um descanso até o seu completo restabelecimento. “Essa técnica, conhecida no campo como ‘sequestro’, é chamada de confinamento estratégico de bezerros, embora também possa ser realizada com outras categorias dentro da fazenda”, explica.

Segundo Josilaine, o confinamento estratégico pode ser usado para aumentar a produtividade da fazenda em um período crítico, durante a seca. “Ela consiste em suplementar os animais com um volumoso de qualidade e um suplemento proteico energético, podendo ser realizada com os animais fechados em currais ou no pasto”.

A zootecnista acrescenta ainda que, pensando no animal, é possível obter ganhos consideráveis durante a seca, época em que geralmente são observadas perdas de peso, sendo possível proporcionar aos animais um crescimento contínuo ao longo do ano. “Além disso, o período de descanso resulta em benefícios para a forrageira se recuperar após o estresse hídrico”, comenta.

Outro ponto destacado pela especialista é que, para implantação dessa tecnologia, é importante fazer um planejamento, desde a produção do volumoso na fazenda até o fornecimento para os animais. “É importante confinar categorias estratégicas, pensando na maior produtividade por área, e ter o controle do que os animais estão consumindo”, ressalta.

De acordo com Josilaine, os custos são muito relativos de região para região e de produtor para produtor. “Basicamente, envolve gastos com a produção de um volumoso de qualidade, seja silagem de milho, sorgo ou capim”, lista e acrescenta que a silagem pode ser administrada na proporção de 1% a 2% do peso vivo do animal. “Além disso, é indicado o fornecimento de um suplemento proteico energético, na proporção de 0,3% a 0,5% do peso vivo do animal”, orienta.

Em relação à estrutura, a especialista diz que o produtor pode usar o que ele tiver na fazenda, como baias de confinamento, praças de alimentação, ou, ainda, deixar os animais no pasto, mesmo aumentando a taxa de lotação e adequando a área de cocho para os animais. “É importante ressaltar que o confinamento estratégico é uma ferramenta para proporcionar ganhos aos animais durante um período crítico, a seca”, esclarece.

Porém ela volta a reforçar que, para que essa ferramenta funcione, é necessário um bom planejamento, desde a produção do volumoso até adequação da estrutura, escolha da categoria a ser confinada e fornecimento de uma dieta equilibrada. “Quando esse planejamento não existe, a estratégia perde a sua função e se torna um método de corrigir uma pastagem mal manejada, o que não é nada interessante”, arremata a zootecnista.

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