Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


Boi segue em alta e pecuária precisa ficar atenta com custos

11/01/2022

Boi segue em alta e pecuária precisa ficar atenta com custos Cepea aponta diferença de preços entre carnes bovinas e de aves. (Foto: Divulgação).

A arroba do boi gordo segue empilhando altas e ainda há muito por acontecer no mercado para elevar o suporte e melhorar o resultado. A última semana foi marcada com uma contenção de preços pagos pelo boi gordo pronto (padrão China), na quinta (6) e sexta (7). Os preços haviam atingido R$ 345 por arroba e, apesar da pressão, poucos registros de negócios com redução. Outro fator importante é que pode haver forte aquecimento no preço da tonelada de carne bovina exportada pela indústria brasileira.

O cenário de pequenas reduções de preços nas negociações é normal e esperado para um período posterior de forte assédio da indústria frigorífica por matéria-prima, portanto o pecuarista precisa endurecer as negociações. Vimos isso em dezembro. Destaco este fato por ser bem recente. Os preços aceleraram no instante em que as escalas industriais mostraram aperto e a demanda maior apontava para cima. O mesmo ocorreu entre a última semana de 2021 e a primeira do ano novo. Aumentaram as propostas por gado pronto e isso fez com que começaram a reduzir na medida que as plantas abatedoras voltaram a estabelecer escalas de abate entre cinco e sete dias. Cenário de normalidade.

Contudo, se há uma expectativa de novas e expressivas altas para boi gordo na medida que se reestabelecem ou aquecem as exportações para a China, por outro lado, o mercado atacadista ganha destaque em todo mês de janeiro. É simples: o primeiro mês do ano é marcado por uma redução brusca entre a finalização e abertura de ano. Enquanto dezembro é marcado por alto consumo por festividades e uma maior quantidade de recursos financeiros para a população brasileira, janeiro apresenta redução ríspida de consumo e menor capacidade monetária, por conta das despesas, tributos e pagamentos que marcam o início de ano.

Desta forma, as expectativas seguem realmente muito boas para pecuária bovina de corte. Há um fator de equilíbrio na cadeia produtiva e com grandes oportunidades de negócios. Especificamente para o elo da produção o cenário segue positivo, a arroba vai seguir subindo e vamos falar algumas vezes de recordes na arroba do boi gordo em 2022. Também precisa ficar claro que, por mais um ano, bezerro e boi magro serão puxados pela própria arroba.

Outro elemento é a agricultura brasileira e internacional: a primeira semana de janeiro foi marcada por números importantes de empresas privadas. Pátria Agronegócios, Agrural, Stonex e Agresource Brazil trouxeram expectativas bem baixas para soja, um corte na estimativa de produção que vai colocar o a produção brasileira entre 131 milhões de toneladas e 134 milhões de toneladas. As perdas se estabelecem no Paraguai, com queda na metade da produção e Argentina. Milho primeira safra quebrou no Brasil. A oferta não vai melhorar e a disputa interna por esses produtos e seus derivados fica mais acirrada.

As informações do parágrafo anterior são para pecuaristas, confinadores ou não, estarem cada vez mais atento aos seus planejamentos, busca de matéria-prima e suplementos. A pecuária de corte fica cada vez mais profissional e exige uma interpretação geral do agronegócio.

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