Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


Boi gordo: estabilidade no curto prazo e altas fortes no horizonte

05/07/2022

Boi gordo: estabilidade no curto prazo e altas fortes no horizonte Fabiano Reis responde perguntas de produtores. (Foto: Divulgação)

Começo o artigo desta semana com agradecimentos aos leitores, a quem está “De Olho no Mercado”, na nossa coluna e, às vezes, encontra um tempo para escrever uma mensagem a este, nem tão jovem jornalista, mas, seguramente, apaixonado pelo agronegócio, pela pecuária tão presente e relevante. Em especial ao Casimiro Torres, produtor rural em Coxim, em Mato Grosso do Sul, e ao Aldo Salles, de Poconé, no Mato Grosso. Escrito ou dito, vou dar um jeito de responder à pergunta do senhor Aldo: “arroba segue subindo mesmo?”.

A questão é relevante e direta. Da mesma forma, a resposta é reta e sem dubiedade. Sim, segue subindo. Por outro lado, uma resposta como a oferecida não pode ficar sem demais explicações e conceitos. Então, trago alguns parâmetros para tal afirmação e para poder fazer um exercício de observação da cadeia produtiva.

O questionamento do produtor rural, uma ótima observação, trata-se da arroba ter entrado em junho com preços em viés de alta, elevações de propostas para pagamento de arroba, oferta de animais cada vez menor e escalas industriais sendo corroídas. De fato, tivemos isso, e o frigorífico, essencialmente o exportador que trabalha com o boi China, defendeu suas escalas através de propostas mais altas pelo gado pronto. O movimento ganhou corpo e, na última semana de junho, apresentou estabilidade na arroba e até uma recuperação nos dias garantidos de trabalho fabril. Em São Paulo, por exemplo, o estado subiu pelo menos dois dias garantidos de trabalho, chegando a 11. Um volume conquistado por aquisições a preços mais altos.

Um fator importante dentro da equação é que o preço não sobe de uma vez. A procura intensa de animais para abate exercida pela indústria em junho fez com que os preços subissem. A tal busca ocorre por não haver animais prontos em oferta considerável no momento. Aliás, cenário que só vai piorar para o comprador.

Basicamente, o que quero dizer é que neste primeiro ambiente, o curtíssimo prazo, as escalas estão tranquilas (não folgadas). O resultado deve ser estabilidade de preços. A indústria vai “surfar” este momento e cessar propostas melhores pelo gado pronto. No médio prazo, eles vão ter que brigar pelo boi gordo e não existe boi barato. Por isso, os preços sobem no médio prazo. Há cerca de duas semanas.

Pela questão levantada, as ofertas de pagamento melhores, mais altas, pela arroba do boi gordo, contemplam a necessidade do pecuarista em vender melhor, mas sempre vai representar maior volume de matéria-prima para o trabalho do comprador. Pagam mais quando precisam e não há nada errado nisso. E vão precisar cada vez mais…

No longo prazo, como já disse, a coordenada do boi gordo é de alta, de elevações relevantes para a pecuária brasileira e que vão refletir, ao mesmo tempo, na maior necessidade e demanda chinesa por carne bovina, a disputa e venda para outros países, todas as consequências de um petróleo mais elevado, da completa escassez de animais para o abate no Brasil e a forte dificuldade da indústria que atende o mercado doméstico brasileiro de absorver as altas que já ocorrem.

Quer saber mais sobre o mercado?

Se você tem alguma pergunta sobre o mercado, faça como o produtor Aldo Salles e entre em contato comigo pelo e-mail [email protected]

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