Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


Arroba sobe, escalas caem e China afirma ter derrotado o Covid

28/06/2022

Arroba sobe, escalas caem e China afirma ter derrotado o Covid Fim do lockdown chinês é alívio para pecuaristas brasileiros. (Foto: Agência Brasil)

Tenho visto uma recuperação diária para arroba do boi gordo. Os fundamentos alicerçaram mesmo os negócios, os incidentes não vieram e podemos observar as previsões lançadas na coluna há meses e a configuração do cenário de expansão de preços. As tendências permanecem e as escalas das indústrias seguem sendo pressionadas, em alguns estados de maneira mais dura, situação que obriga os frigoríficos a ofertarem preços mais altos pela arroba.

Um outro fator que precisa ser descrito logo de cara no artigo desta semana é que a última segunda-feira, 27 de junho, trouxe um ótimo humor ao mercado financeiro e internacional de grãos. Trata-se do afrouxamento das medidas de controle de Covid-19 na China. As expectativas mudam com a sinalização de maior demanda chinesa presente.

É e foi uma questão de tempo…

A entressafra está instalada e em processo de ampliação, sem expectativa de mudança vigorosa. Afinal, o descarte e oferta para abate foi intensa em maio, não há excedente e a indústria paga mais pela arroba do gado pronto. Os valores oscilam no estado de São Paulo entre R$328 e R$329 por arroba para o chamado boi China. A arroba sobe no país inteiro, com exceção dos estados do nordeste que sobem de maneira menos intensa e ficam mais dias estáveis.

O comportamento de mercado aponta para a indústria exportadora seguir elevando as ofertas com a finalidade de defender, ainda que medianamente, suas escalas e ter a garantia de matéria-prima para a atividade fabril. Quanto à indústria que atende, prioritariamente, o mercado doméstico, as ofertas ocorrem, são melhores, mas não têm se convertido em muitos negócios de fato. Como previsto, este perfil de empresa ficou com dificuldades (e ficará ainda mais) de fazer suas aquisições de animais prontos.

Como citei, as escalas das indústrias frigoríficas estão cedendo mais rapidamente, o que obriga as ofertas melhorarem na mesma velocidade. A média nacional começa a semana com sete dias garantidos, novo recuo. A restrição de oferta de animais prontos para o abate segue dando o tom do comportamento de compra e venda, com isso, o estado de São Paulo até mantém oito dias garantidos de trabalho, mas elevando as ofertas pela matéria-prima.

Os preços da arroba subiram nas praças de Mato Grosso e Goiás, que estão com escalas parecidas, entre cinco e sete dias pelas informações, com algumas variações de acordo com a região (MT). Mato Grosso do Sul mantém escalas de sete dias. Todos os estados citados têm viés de alta nos preços.

A semana começou interessante, com uma notícia que animou os mercados financeiro e de commodities agrícolas e, em breve, também vai impactar positivamente o mercado de carnes. A China anunciou ter “derrotado o Covid-19”. Bravata ou não, o fato é que o país asiático tem flexibilizado muita coisa internamente, principalmente em Xangai, o chamado coração logístico daquele país. Basicamente, para o mercado de carnes, o fato representa fluência e destravamento nos portos chineses. Deve refletir no fluxo de mercadorias recepcionadas, em breve.

Para finalizar, a semana deve manter a tendência de alta para arroba do boi gordo, com as ofertas de preços com sinalizações mais claras. A pressão nas escalas é transparente e este é o momento do pecuarista recomeçar a vender bem. Ao contrário de alguns posicionamentos, acredito que este momento de alta não vai cessar (salvo algo extraordinário) antes de janeiro de 2023. Os preços sobem, mas os custos de produção também.

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