Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


Arroba sobe, dólar também e escalas recuam

14/06/2022

Arroba sobe, dólar também e escalas recuam Arroba e dólar registram alta e escalas recuam. (Foto: Pixabay)

A previsão do último artigo “De Olho no Mercado” confirmou-se e tivemos, na última semana, um cenário bem melhor para arroba do boi gordo. Com variações que foram da estabilidade nos estados até valorizações em algumas praças de negociação. Como destacado aqui nas últimas semanas, a oferta reduziria em junho, uma característica extremamente importante para a redução das escalas da indústria frigorífica.

Um tema importante para ser abordado desde já, é que acredito em um mês de junho de altas para arroba do gado pronto e redução forte de escalas nas próximas semanas. Desde o começo do ano tivemos, na média nacional de preços para arroba do boi gordo, reduções do preço quase mensal.

O primeiro trimestre de 2022 foi muito bom em preços, com destaque para janeiro. Este mês teve valores visivelmente mais altos e contou com uma atuação chinesa mais intensa nas aquisições de gado gordo. Os meses posteriores foram marcados com recuos. Queda que começou especialmente na segunda quinzena de abril e ganhou muita expressão em maio.

Amigos, a arroba do boi sobe em junho… já até começou.

Um dos primeiros elementos que devem ser contabilizados ao falar sobre o assunto é a queda na oferta de animais. Em maio a disposição de fêmeas, principalmente, foi intensa e não considero terem sido apenas descartes. Os volumes de novilhas e vacas deram o tom dos negócios e parâmetros para uma formação de escalas de indústrias frouxas e proporcionaram propostas de preços baixos para todas as categorias, mudando os aspectos do mercado.

Em relação a grandes vendas e ofertas de fêmeas ou descartes não têm mais. Não naquele volume. Acabou.

Também, preciso afirmar que as “escalas frouxas” encerraram e até mesmo “escalas confortáveis” ficarão em risco antes do final do mês de junho. A redução nos dias garantidos de trabalho já se mostram expressivas na semana encerrada em 10 de junho e nada mostra que este cenário possa mudar do contexto atual, para o alinhamento que aponta propostas para pagamento pela arroba do boi gordo em aclive. O mercado, por seus parâmetros, sobe. Mesmo com a China (China parcial).

Que negócio é esse de China parcial?

Tudo o que tenho escrito nas últimas semanas, meses já, aponta para uma China criando realmente barreiras baseadas em coisa nenhuma (não há muita certeza sobre as alegações chinesas) para barrar a entrada de carnes no país. Os principais afetados são os frigoríficos brasileiros que estão em maior número, mas atingem, também, os Estados Unidos e os vizinhos Argentina e Uruguai. Nesta última segunda-feira, a Administração Geral de Alfândegas da China suspendeu a compra de produtos da unidade do Marfrig em Tangará da Serra, em Mato Grosso, por quatro semanas. Desde a primeira suspensão são unidades frigoríficas brasileiras suspensas. A arbitrariedade atinge toda a cadeia produtiva.

Por outro lado, já tivemos a China completamente fora dos negócios por alguns meses e o mercado sobreviveu.

As escalas frigoríficas reduziram mais e se encontram na casa de nove dias, mesmo número no Estado de São Paulo. Mato Grosso e Goiás estão com cinco dias de atividades garantidos, Mato Grosso do Sul tem seis. E até onde consegui me informar, todos os estados estão em recuo e com viés de queda para as escalas.

Por fim, os preços da arroba vão seguir se recuperando. Fique atento ao dólar, a inflação tem assustado o mercado financeiro norte-americano, a moeda disparou e tende a ficar em alta. Neste cenário, o produto brasileiro é ainda mais competitivo.

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