Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


Arroba dispara com estratégia de pecuaristas em todo país

23/11/2021

Arroba dispara com estratégia de pecuaristas em todo país Fabiano Reis, jornalista especializado em agropecuária, fala sobre as estratégias para administrar uma propriedade para obter melhores lucros (Foto: Divulgação)

O mercado segue em reação para os valores da arroba do boi gordo, reflexo direto de melhores ofertas pelo animal pronto, graças a escalas bem mais curtas, em torno de três dias. Em alguns estados a variação já apresenta porcentagens próximas aos registros de perdas com a China fora do radar.

Se pensarmos em noticiário e fatos ligados ao boi gordo, há um roteiro muito claro sendo seguido através dos elementos dentro de parâmetros da sazonalidade esperada para este período do ano. Em resumo, as escalas de abate da indústria estão encurtadas, o boi sumiu da oferta e, com isso, não existe outro caminho. É necessário elevar a proposta de compra.

Os preços na praça paulista estavam em R$ 295 por arroba, mas com negócios em até R$ 320, valores médios em R$ 301 no prazo. Os valores são mais cheios também em Goiás, com R$ 300, Minas Gerais em R$ 304, Mato Grosso R$ 286, entre outros estados. Todavia, São Paulo realmente chama atenção: falta muito pouco para atingir (preço máximo) o melhor valor do ano.

Dito a situação atual dos preços e comercialização, devo confessar que acredito existir, de fato, uma forte pressão sobre a carne bovina brasileira. Primeiro, os casos atípicos de vaca louca, evidenciados e explicados rapidamente, argumentos considerados pela OIE – Organização de Saúde Animal, também velozmente. E, vemos hoje a situação com a China. Pelo o que sei, apesar da diplomacia da ministra da Agricultura, Tereza Cristina Correa da Costa e sua equipe, os chineses seguem pedindo mais daquilo que já receberam (provas e contraprovas).

A mais recente questão é ligada aos Estados Unidos, na qual instituições representantes de pecuaristas do país teriam enviado uma carta ao secretário de agricultura do País, pedindo a suspensão da importação de carne bovina in natura do Brasil. Creio que isso, realmente, não dá em nada.

Prezados, acredito realmente ser apenas algum tipo de pressão com a carne produzida no Brasil. Lembro que lá por volta dos anos de 2009 até 2013 havia muita crítica em cima da carne brasileira na União Europeia. A tentativa de prejudicar a imagem partia de associações de produtores rurais da Irlanda, país com tradição na pecuária, mas cheio de falhas nas questões sanitárias e sem capacidade de atender aquele mercado.

Observações para a pecuária brasileira:

– A intenção de confinamento tinha que cair mesmo – a queda deve ser até maior;

– A arroba deve seguir subindo até o final do ano. Em janeiro, teremos um reposicionamento, com ou sem China;

– Os Estados Unidos poderem bloquear carne bovina brasileira não é crível. Isso não deve acontecer;

– A cadeia produtiva estaria melhor com a China;

– China deve voltar, mas compras só no próximo ano;

De modo geral, os pecuaristas brasileiros têm negociado de maneira adequada e em tempo correto, conseguindo elevar os preços. A estratégia funciona. O boi é raro e vai ficar mais incomum ainda.

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