Fabiano Reis

Jornalista, mestre em Produção e Gestão Agroindustrial


Apertem os cintos: é quase entressafra

17/05/2022

Apertem os cintos: é quase entressafra (Foto: Divulgação)

Período de forte pressão de preços na cadeia produtiva da pecuária de corte. É inegável as ofertas pela arroba do gado pronto, da unidade de gado magro e bezerro, estarem mais baixas. É fato – como já escrevi anteriormente por aqui – esperado e natural. Os reflexos são vistos nas correções no mercado atacadista de carne bovina (referência São Paulo), com os cortes de traseiro em atualização no campo negativo e viés de queda.

O cenário de maior oferta de animais é resultado direto de uma contenção de fêmeas mais expressiva no acumulado do último ano ou um pouco mais. Apesar da oferta maior de gado magro e bezerros, uma expectativa de manutenção de demandas fortes de frigoríficos no mercado interno brasileiro, apontava para um equilíbrio interessante para o pecuarista de cria.

Entretanto, houve um pouco mais de oferta mesmo de gado magro no país, é claro que está relacionado diretamente a chegada do tempo mais frio, outono/inverno, o que representa tempo mais seco e menor pastagem disponível. Também destaco parte dos pecuaristas de cria terem segurado por mais tempo a comercialização, aguardando uma janela de oportunidade melhor de vendas, mas ela não veio. A ausência, mais aguda, da China – principal importador de carne bovina brasileira – deu o tom em todas as categorias de produção no país. Além disso, a oferta de gado magro engrossou por muita gente ter esperado o “melhor momento”, também por parte de produtores rurais (consulta feita em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) terem optado por não terem os custos operacionais da última vacinação contra febre aftosa e vender.

Em resumo. É a entressafra batendo na porta e, em algumas fazendas pelo país, já totalmente instalada.

Soma-se a este fator a indecisão quanto ao confinamento no Brasil. A explicação é sempre o alto custo das unidades de confinamento e boitel. Quanto ao confinamento no país (estamos encerrando o primeiro giro) este giro ajudou um pouco a subir a oferta interna de animais prontos, mas sempre são diferentes os números de intenção e verdadeiramente confinados. “Há distância entre intenção e gesto”. Não lembro de quem é o verso, mas é bem aplicável neste caso.

Todavia, a oferta de gado magro melhorou com preços mais baixos e o gado é 70% do custo de confinar. Quanto a alguns insumos, o milho por exemplo, tem tido reações diversas no mercado físico e futuro brasileiro. Já é claro haver uma queda de produtividade no Mato Grosso e Goiás, por conta da pouca chuva em abril e na primeira quinzena de maio. Há previsão de geadas no Paraná e Mato Grosso do Sul durante o desenvolvimento da segunda safra. Mas há uma observação importante: mesmo com queda de produtividade e potencial impacto climático no desenvolvimento da lavoura, o milho na segunda safra deve ter bons resultados. Os preços subiram no mercado futuro no último dia 16 de maio, para outubro passavam de R$ 102 por saca.

O mercado de gado pronto tem seguido um caminho de maior oferta de animais prontos e escalas de frigoríficos mais cheias, cenário natural para o período do ano, como já escrevi antes por aqui. Há muito descarte também, o que colabora um pouco mais com o cenário. Todavia, a China é elemento fundamental e difícil de prever no atual contexto. Os levantes de embargos do país asiático a plantas exportadoras do Brasil sem motivo lógico (eles alegam questão sanitária de risco de Covid ou nada) trazem mais pressão com a falta de clareza e incertezas quanto ao mercado.

Para o desenvolvimento desta semana acredito em sequência dos fatos da última, o que significa pressão, queda, poucos negócios, busca de estabilidade, mas sem muitas chances de recuperação.

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